<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890</id><updated>2012-01-13T02:02:06.787-02:00</updated><title type='text'>Jornalista de Merda</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-112606734362704558</id><published>2005-09-07T01:28:00.000-03:00</published><updated>2005-09-07T01:31:37.000-03:00</updated><title type='text'>Aqui a ôia é pesada</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img alt="logosemmeias.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/logosemmeias.jpg" width="238" height="133" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma hemorragia de prazer atender novamente aos interesses do povão da rede mundial de computadores. Afinal, aqui a muáfa governa, e tudo que vira sensação na internet merece nosso carinho e atenção. Sendo assim, após termos destrinchado por completo o filme do &lt;a target="_blank" href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/2005/08/modere_o_seu_li.html"&gt;Bátima Feira da Fruta&lt;/a&gt;, chegou a hora de chamar às vias de facto os bastidores do programa Sem Meias Palavras. Com matérias policiais que mais parecem esquetes de humor, o programa explodiu em popularidade e virou mania ganhando dezenas de comunidades no Orkut e mais de 3 mil visitantes diários no site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="jeremias 004_0001.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/jeremias 004_0001.jpg" width="194" height="146" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Matéria que fez história&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo na conta de duas figuras insanas. Um rapaz chamado Jeremias José ? autuado trincando de bêbado ? e o carismático repórter Givanildo Silveira.  Numa entrevista bombástica concedida ao programa, Jeremias revelou ter bebido com o cão. Nada que intimidasse Givanildo, que seguiu na ofensiva e arrancou ainda mais barbaridades para o desvario da audiência. Transmitido apenas para o estado de Pernambuco, o programa ganhou notoriedade graças ao site, onde estão disponibilizadas as matérias de maior destaque. A molecada em Caruaru sentiu o drama e passou adiante o material, até que a entrevista com Jeremias José chegou no blog &lt;a target="_blank" href ="http://www.kibeloco.com.br"&gt;Kibeloco&lt;/a&gt; e de lá bombou geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="equi.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/equi.jpg" width="194" height="147" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Equipe do programa reunida&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forte repercussão da matéria com o parceiro de boteco do demônio iluminou o caminho da fama, e a produção do programa emendou uma série de matérias no estilo na seqüência. Pintaram na tela do Sem Meias Palavras bêbados nos mais variados estados de embriaguez, mudos, gagos, gays, travestis, garotas de programa, boi, galinha, bode, cachorro e despombalizados em geral. Quase sempre dando um algo mais nas entrevistas, normalmente um tostão de voz entoando a canção predileta. Um poderoso mix de tosquêira que deixou a turma em polvorosa que formaram uma legião de admiradores. Atualmente, cerca de 30 matérias podem ser acessadas no site. E embora o programa tenha forte apelo policial - retratando explicitamente a violência que assola grande parte das cidades brasileiras - parece ter vocação para o humor, motivo pelo qual recebe grande parte de sua audiência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="ede.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/ede.jpg" width="194" height="155" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Edeilson Lins, o comandante&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentado por Edeilson Lins, com produção de Adelson Silva, trata-se de mais um dos tradicionais programas  policiais de televisão, e vai ao ar de segunda à sexta-feira às 12h45, na TVI de Caruaru-PE, filiada do SBT. Dia 20 de dezembro completará um ano em sua segunda versão. Na primeira, o esquema era semelhante, e também com o comando de Edeilson Lins. Para contar todos detalhes de bastidores do Sem Meias Palavras, fomos atrás do camisa 10 do time, o repórter Givanildo Silveira. Após um dia inteiro de trabalho, ele confirmou a conexão Curitiba-Caruaru e gentilmente nos cedeu a entrevista que você lerá após um breve perfil em boleirês. E pra fechar, ainda rolam alguns dos melhores momentos do programa devidamente comentados pelo entrevistado. Mete bronca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;JORNALISTA DA GOTA SERENA&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="giva.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/giva.jpg" width="194" height="172" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Givanildo maroteando na ilha de edição&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Givanildo Silveira não é jornalista formado. Mas é formado em jornalismo. Melhor, é curtido em reportagem. Basta averiguar o &lt;em&gt;scout&lt;/em&gt; do malandro. No rádio, jogou nas onze. Adentrou ao gramado como gandula, suando a moleira na lida de office-boy da rádio Liberdade de Caruaru. Alçado a condição de recepcionista da rádio, foi pegando as bases da parte de operação na surdina, entre telefonemas e anotações de avisos de falecimento. Sempre almejando a equipe principal, aos poucos foi ganhando chances no segundo tempo, substituindo os colegas impossibilitados e integrando o plantão esportivo. E partiu pro &lt;em&gt;díbre&lt;/em&gt;. Não demorou muito e teve a oportunidade de vestir a jaqueta titular pela primeira vez, comandando um programa de música aos domingos. E se &lt;em&gt;adonou&lt;/em&gt;. Já são 12 anos suando a camisa do rádio sem esmorecer, atualmente trabalhando no programa de televisão e na rádio Jornal Caruaru. Aos 33 anos de idade, três filhos e dois casamentos, Givanildo está no auge da forma física, técnica, tática e psicológica. Sabe os atalhos do campo. É matreiro. Bate na bola igual craque: com nojo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você pretende fazer a faculdade de jornalismo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Eu comecei uma faculdade de Pedagogia, depois passei para Direito e acabei trocando por Ciências Sociais. Até que um dia, eu estava num cinema e arrumei uma garota. Deixei os estudos e depois ela me deixou. Resumindo, fiquei sem nada. Mas tenho interesse em fazer a faculdade de jornalismo. O dono da TVI é proprietário de uma faculdade aqui em Caruaru, e se alguém quiser me ajudar eu aceito, pois no momento não tenho condições de pagar uma faculdade. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Após o começo no plantão esportivo, você teve programa de música e acabou na reportagem policial. Era onde queria chegar?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; De jeito nenhum, eu tinha um medo arretado de delegacia. Não gostava nem um pouco do ambiente, polícia pra todo lado, sangue, entre outras coisas. Mas é aquela coisa, tem que encarar, no rádio é preciso fazer tudo. Sempre que faltava algum repórter eu assumia, e nessa de cobrir os colegas acabei caindo para o lado policial e me firmei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;E a passagem para a televisão, como aconteceu?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; O Edeilson Lins, que é o apresentador do programa, passou pela Rádio Jornal. Depois ficou um bom tempo afastado do rádio, voltando ao lado do empresário Antônio Gonçalves para fazer um programa policial na rádio TVI daqui de Caruaru. E ficaram sondando os dois repórteres policiais da cidade, eu na Rádio Jornal e o outro da Liberdade. Então eu fui fazer um teste junto com o outro repórter. Eles gostaram mais do meu perfil e me fizeram o convite. Eu disse que tinha interesse, mas que nunca havia feito televisão na vida. Mas eles aceitaram e disseram que não havia problema, que aos poucos eu ia me adaptando. Tudo começou como uma grande experiência, eu não queria me atrapalhar na rádio, então fomos levando do jeito que dava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="viatu.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/viatu.jpg" width="194" height="141" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Viatura pronta para ganhar as ruas&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Desde o começo do programa vocês já arriscavam as matérias mais engraçadas?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Não, no começo do programa não tínhamos essa intenção. Eu faço o estilo engraçado no rádio, gosto de brincar com as pessoas o tempo todo. Só que na televisão eu não me senti seguro para fazer isso. Afinal, estava começando. Até que me disseram que eu podia ficar mais à vontade. Foi quando aconteceu a entrevista com o Jeremias, e tudo mudou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Como foi a entrevista?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Eu estava saindo da segunda delegacia, indo para a emissora quando me ligaram avisando que tinha um ?bebinho? lá na primeira. Quando cheguei e vi o cabra naquele estado fiquei sem saber o que fazer. Completamente bêbado, mandando todo mundo tomar naquele canto. Pedi o nome dele, onde mora, a placa etc. Mas estava a maior confusão, tanto é que quando eu digo a placa da moto eu troco tudo. Comecei a entrevista e ele desembestou a falar besteira, que tinha bebido com o cão etc. Achei que não ia dar em nada. Foi ao ar no dia seguinte e a repercussão local foi muito grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;E o que acarretou a repercussão nacional?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Foi graças ao site do programa, que surgiu com idéia do Adelson. As pessoas começaram a ver no site e a entrevista foi se espalhando. Aqui mesmo em Caruaru, nos cyber-cafés, já era muito comentada. Até que chegou no blog Kibeloco e estourou de vez. Hoje temos mais de 3 mil acessos por dia no site do programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Com a grande repercussão da matéria engraçada vocês não pensaram em mudar o foco do programa? Pender mais para o humor ao invés das matérias policiais mais tradicionais?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Chegou um momento em que nós fazíamos mais matérias engraçadas do que normais, mas tudo porque apareciam mais bêbados que qualquer outra coisa na delegacia. Mas não dava, nem dá para ficar só nisso. Se fosse pelo público o programa seria basicamente de humor. Mas a direção não quer partir para esse lado, mas também não quer sair. Tentamos equilibrar as coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;E de onde vem esse dom para o humor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Não tenho inspiração em ninguém, é coisa minha mesmo. Gosto muito de brincar, tirar sarro, estou sempre de bom humor. Mas é claro que eu sei falar sério também quando preciso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="giva02.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/giva02.jpg" width="194" height="159" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Sobrinha de Adelson e Giva, o ídolo da garotada&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você não teme que os personagens que num primeiro momento são engraçados, que foram detidos somente por bebedeira possam cometer um crime grave no futuro e isso gere um mal estar?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Não tenho, não. Quase sempre o entrevistado vê no outro dia tudo na televisão o que fez. A repercussão é muito grande e ele fica com medo. O Jeremias, por exemplo, a mãe dele foi parar num hospital por conta da matéria. Ele foi parar até no programa do Ratinho, e ficou muito envergonhado. Fui na casa dele, conversei e tudo mais, aconselhei ele a tomar jeito na vida. Ele não é um menino ruim. Só que quando bebe fica transtornado, fica violento daquele jeito. Ele anda num cavalo e toma uma pinga danada. Só que ainda bem nunca mais deu entrada na delegacia. São apenas pessoas comuns que quando bebem fazem besteira, não são assassinos, e aparecer na televisão acaba intimidando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você já foi ameaçado por algum entrevistado?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Nunca fui. Eu sou legal com os presos. Trato todos bem e com respeito. Já cheguei até a dar água na boca de preso. Só uma vez que um rapaz ficou com raiva de mim, pois pensou que eu tinha dedurado ele para a polícia. Mas depois ele tomou conhecimento e não teve problema nenhum. Não é porque eu faço um programa policial que vou ficar dedurando as pessoas. Mas sempre que eu chego em casa tomo alguns cuidados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Os programas populares são geralmente vistos como exploradores da desgraça alheia. Você se sente assim?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; De jeito nenhum. Teve um momento que a direção da tevê achou que eu estava debochando das pessoas. Mas não é o caso. Para você ter uma idéia, hoje em dia quando me vêem na delegacia, os bêbados já começam a olhar e rir pra mim, querendo ser entrevistado. Quando eles entram na brincadeira eu me solto. Também já aconteceu de tentarem me agredir. Mas se não quer aparecer eu respeito, não tem problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Qual a entrevista mais engraçada?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; A do Jeremias por incrível que pareça eu não gostei muito, pois não esperava, não estava preparado. Se fosse hoje seria ainda mais legal. Na verdade não tem uma só, são várias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="progra.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/progra.jpg" width="194" height="148" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;center&gt;Bastidores do programa&lt;/center&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você gosta de beber?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Gosto bastante. Não tenho muito tempo, trabalho todos os dias. Mas quando dá vou para a casa de amigos, compramos uma caninha, um uísque, um tira-gosto, coisa e tal. Aprecio a Pitú que é de Pernambuco, uma cervejinha também vai bem. E tem uma coisa engraçada. Sempre que eu estou lá acontece alguma coisa. Aí eu estou tomando aquela cachaça, com um bafo de cana da gota, e tenho que sair correndo pra fazer a matéria. Aí o jeito é comprar um confeito e ver no que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;E qual o tira-gosto mais adequado? Gosta de um quitute?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Não muito. O quitute é uma carne enlatada, e o pessoal come acompanhando a cana. Eu gosto de comer umas frutas. Chupo uma laranja e tomo uma lapadinha de cana. Umbú, seriguela, melancia. Fora os tira-gostos tradicionais, a buchadinha, sarapatel etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você acha que estando bêbado seria um bom personagem para o programa?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Na adolescência eu era um bêbado muito chato, ficava violento. Mas com o tempo a gente vai aprendendo. Hoje eu bebo e fico rindo. A fala não sai direito. Eu poderia ser engraçado porque eu ia rir demais. E eu bebo e caio logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Você está no Orkut, certo? Sofre bastante assédio fora da internet também? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Foi bom você ter falado no Orkut. Eu entrei esses dias, e tinha um cara que estava se passando por mim. É bom que as pessoas saibam qual é o meu perfil de verdade. Vejo de vez em quando, quem manda recado etc. Sobre o assédio, rola bastante sim. E é curioso que as crianças adoram o meu trabalho. Aqui em Caruaru, onde eu passo tem criança querendo falar comigo. Ligam pra mim em casa. Já cheguei a ir até em aniversário. Por conta das matérias com o boi chorão, da galinha etc. Mesmo na delegacia a criançada me chama. Fizeram até fila pra autógrafo. Acho muito legal isso, ser reconhecido, foi o que eu sempre quis. Com o sucesso do programa me sinto realizado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Qual o segredo do sucesso das matérias engraçadas? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; Eu tentei fazer diferente, usando uma linguagem bem popular, e acho que isso ajudou na repercussão. É claro que os entrevistados são importantes, mas esse diferencial também conta. Se fosse só na coisa séria não ficaria tão legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Vocês têm alguns projetos imediatos para o programa?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Givanildo:&lt;/strong&gt; A princípio nós estamos tentando melhorar o site, que é uma grande forma de divulgação do trabalho. Mas precisamos de patrocínio para manter. São muitas idéias, as pessoas entram em contato com a gente para sugestões. E vamos colocar todo tipo de matéria, mas sem ficar somente na coisa engraçada. Muita gente pensa que é programa de humor, mas não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;PRÊMIO PITÚ DE JORNALISMO TOSCO&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme aprumado acima, ofertamos um mimo final para que você conheça um pouco mais de alguns personagens importantes do programa Sem Meias Palavras, selecionados de acordo com a apreciação do staff do Jornalista de Merda. Para assistir os vídeos basta clicar nas imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;Ivanildo Holanda dos Santos, vulgo Caninha&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Motivo: preso por perturbação da ordem&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.semmeiaspalavras.com.br/caninha01.htm"&gt;&lt;img alt="Caninha 012_0001.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/Caninha 012_0001.jpg" width="195" height="146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhores momentos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Olha a cara dele, fica rindo...&lt;br /&gt;Caninha: Já tá dizendo que eu bebo, né?&lt;br /&gt;Givanildo: Mas já tomasse uma hoje, não já?&lt;br /&gt;Caninha: Veja bem, apesar que... eu comecei a beber com dois anos.&lt;br /&gt;Givanildo: Hoje você tem 24... então você bebe há 22 anos é?&lt;br /&gt;Caninha: 22 anos que eu bebo...&lt;br /&gt;Givanildo: Rapaz, você tem uma cara cínica danada, né?&lt;br /&gt;Caninha: Eu sou bonito?&lt;br /&gt;Givanildo: Não, aí fica pras tuas mulheres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 2&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Tu já matou alguém?&lt;br /&gt;Caninha: Eu tenho dois crimes.&lt;br /&gt;Givanildo: Matasse quem?&lt;br /&gt;Caninha: Eu não poderia dizer o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 3&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: O que foi que tu bebesse?&lt;br /&gt;Caninha: Eu bebi dois litros de uísque, um litro de Dreher, uma grade de cerveja e seis litros de cana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 4&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Comeu algum tira-gosto?&lt;br /&gt;Caninha: O tira-gosto que eu tô comendo é esse...&lt;br /&gt;Givanildo: Uma bala, né?&lt;br /&gt;Caninha: Não, isso é uma "Frigelis" de melão, a minha preferida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaque &lt;/strong&gt;? Caninha canta e loroteia o tempo todo, diz que sempre foi um popstar, um modelo, que era cunhado de "Tim Lópi", e inicia quase todas as frases com "apesar". Já são quatro passagens de Caninha pela delegacia, ou seja, quatro matérias no programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O repórter analisa o entrevistado ? &lt;/strong&gt;Ele é uma figura folclórica. Não tem juízo. Tem a coisa do "apesar". É uma pessoa boa de formação. Mas quando ele bebe começa a dizer coisas totalmente sem sentido. Ele fica fantasiando. Mas doido ele não é, pois se não dava com a cabeça na parede. Mas apanha, viu! E não ta nem aí. Quanto mais apanha, mais gosta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;Severino José da Silva, vulgo Biu Goaiaba&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Motivo: preso ao tentar roubar uma casa&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.semmeiaspalavras.com.br/biu_goiaba.htm"&gt;&lt;img alt="biu_goiaba 006_0001.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/biu_goiaba 006_0001.jpg" width="194" height="146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhores momentos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Você ia roubar a casa mesmo?&lt;br /&gt;Biu: Ia mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 2&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Já tinha tomado uma, não já?&lt;br /&gt;Biu: Não, tinha bebido não que eu parei de beber.&lt;br /&gt;Givanildo: Mas tu tá com um bafo de cana da bixiga, visse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaque:&lt;/strong&gt; Momento em que Givanildo chama a apresentação de canto e dança de Biu Goiaba, que interpreta a canção "Se exa nega foxe minha". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O repórter analisa o entrevistado - &lt;/strong&gt;Quando bebe fica inconsciente, não sabe voltar pra casa, endoida de vez, tira a roupa, fica de cueca. Ele mora na zona rural de São Caetano, os pais se preocupam muito com ele. Ele caiu várias vezes, colocaram gesso e ele tirou. Não pára. E todo dia ele vai até a emissora pedir dinheiro pra gente. Nós damos um trocado e tal. Agora está atrás de um carrinho pra vender churrasquinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;Cristiano José da Silva, vulgo Quem Não Deve&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;Motivo: acusado de tentar furtar uma bicicleta&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.semmeiaspalavras.com.br/quemnaodeve.htm"&gt;&lt;img alt="quem_nao_deve 005_0001.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/quem_nao_deve 005_0001.jpg" width="194" height="146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhores momentos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Cristiano: Não devo não, quem não deve não treme...&lt;br /&gt;Giva: Quem não deve?&lt;br /&gt;Cristiano: Não treme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Parte 2&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Givanildo: Quem não deve? Quem não deve?&lt;br /&gt;Cristiano: Não tremeeee!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaque:&lt;/strong&gt; Cristiano não pára de rir de alguém atrás da câmera (ou do próprio câmera) que também ri o tempo todo. Givanildo percebe e manda: "Vamos continuar que tá bem descontraído aqui..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O repórter analisa o entrevistado ? &lt;/strong&gt;Esse rapaz é cachaça também. Foi acusado de furto num bar no bairro do Salgado. Ele e um amigo. Chegou no bar, pediu uma cerveja, o dono do bar foi servir e a carteira caiu. E ele furtou com o amigo dele. Já passou diversas vezes pela polícia, e nessa vez que eu o entrevistei estava totalmente embriagado. No outro dia ele estava bom, fui fazer mais uma matéria e ele estava bravo, não falava mais o "não treme".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Site do Programa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.semmeiaspalavras.com.br"&gt;Sem Meias Palavras&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem Meias Palavras no Orkut&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9705664474473131636"&gt;Perfil Givanildo Silveira &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maior comunidade homenageando o repórter&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3571536"&gt;Fãs de Givanildo Silveira 157 membros   &lt;/a&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maior comunidade homenageando o programa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2063708"&gt;Sem Meias Palavras 1599 membros &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comunidades dos entrevistados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2136222"&gt;Biu Goiaba 612 membros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3732007"&gt;Caninha,Sem Meias Plavras 81 membros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2113433"&gt;Eu já bebi com Jeremias José 8914 membros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agradecimentos: &lt;/strong&gt;Adelson Silva e Givanildo Silveira.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crédito das fotos e imagens:&lt;/strong&gt; Programa Sem Meias Palavras&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-112606734362704558?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/112606734362704558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=112606734362704558&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112606734362704558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112606734362704558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/09/aqui-ia-pesada.html' title='Aqui a ôia é pesada'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-112292821277839493</id><published>2005-08-01T17:28:00.000-03:00</published><updated>2005-08-01T17:30:12.803-03:00</updated><title type='text'>Modere o seu linguajar, por favor!</title><content type='html'>Semana sim, semana não, uma febre diferente se adona do mundo virtual.  &lt;em&gt;Seje&lt;/em&gt; um álbum de fotos, &lt;em&gt;seje&lt;/em&gt; um vídeo, uma música, &lt;em&gt;seje&lt;/em&gt; lá o que for. Naquele pula-pula de páginas algo diferente acaba caindo nas graças de alguém que antevê a jogada e passa para a brodagem por email ou via messenger. Em questão de horas - o que estava no limbo, restrito a uma meia dúzia de cinco ou seis - vira fruto da paixão e devoção de todo um povo. Seu download é suplicado, seu link abençoado. E para referendar a condição de mania, multiplicam-se as comunidades no Orkut sobre o tema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi dessa maneira que despontou na rede um vídeo contendo uma prosaica brincadeira adolescente. Um episódio do seriado para televisão do Batman dublado com toda sorte de palavrões que a língua ? brasileira legítima, no caso ? foi capaz de parir. A brincadeira varreu os computadores canarinhos, incluindo os sediados fora do território nacional. E ficou. Não é mais modinha. É conceito. Religião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por acaso, claro. E aqui no Jornalista de Merda você vai saber todos os detalhe dessa empreitada fantástica, começando por uma breve história do dia em que ela veio ao mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;ME EXPLICA ESSA PORRA!&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo culpa dos americanos. Precisamente em 1981, Marcos retornou dos Estados Unidos com uma revolução tecnológica na bagagem. Um aparelho capaz de trazer o cinema para dentro de casa. E mais, capaz de gravar o programa que quisesse na televisão numa fita que você poderia reproduzir também quando quiser. Um troço do mal, obra do Dimo mesmo. Um videocassete JVC 6700 trincando de novo, artigo ainda praticamente desconhecido abaixo da linha do Equador. Se a parada derrubava a cabeça dos adultos, calcule o que rolava nas mentes mais jovens diante de tamanha sofisticação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que pegou com Fernando, irmão mais novo de Marcos, então com 19 anos. Empolgado, passou a xerocar sem lei tudo que rolava na tela. Até que num certo dia, ele não titubeou e mandou uma tecla REC sem medo de ser feliz no exato momento em que enchia a tela as peripécias de Batman e Robin. Nessa época, o seriado era exibido pela Rede Globo todas as terças e quintas às 17 horas. Gravou e largou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat01.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat01.jpg" width="216" height="133" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, Antonio ? bróder das antigas, 18 anos ? foi convocado por Fernando para a degustação da fita do Batman. Há 24 anos a parada já era visivelmente tosca, e o canal era curtir as cenas de ação tão malacabadas que as lutas dos filmes dos Trapalhões pareciam ser coreogradas pelo Jet Li. Eis que quando a fitinha passou a girar veio o estalo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fernando: Vamos dublar essa merda?&lt;br /&gt;Antonio: Dá?&lt;br /&gt;Fernando: Claro que dá, porra. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O videocassete JVC 6700 não era um aparelho comum. Era tunado. O bichão expandia os novos horizontes da tecnologia doméstica contendo um controle-remoto com fio, funções de câmera lenta, quadro a quadro e, no caso, uma tecla chamada audiodub, que proporcionava a inserção de áudio na gravação sem alterar as imagens. Tava feita a cagada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fernando: Você presta atenção nas falas do Robin que eu vejo as do Batman.&lt;br /&gt;Antonio: Tá certo...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A partir daí rolou uma sessão corrida do episódio que durou a tarde inteira. Os dois assistiram a gravação pelo menos umas dez vezes, até sentirem-se aptos a assassinar a dupla dinâmica. Antes, porém, Fernando foi até o armário e sacou um compacto simples do Grupo Capote para enfeitar a nova versão da fita como fundo musical. Com o disquinho na agulha - e a música ?Feira da Fruta? bombando nos alto-falantes posicionados ao lado da televisão ? restava apenas plugar o microfone. Tudo em riba, os dois foram às vias de facto.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat03.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat03.jpg" width="188" height="154" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha roteiro, script, porra nenhuma. Fernando e Antonio foram dublando na raça, passando o microfone de mão em mão e chorando de rir com o desenrolar dos diálogos carregados de boa parte dos palavrões da língua portuguesa. Quando a insanidade se adonava do ambiente e a hemorragia de prazer era difícil de conter, os dois tomavam um fôlego pausando as ações. Com os pulmões reabastecidos, prosseguiam alterando os rumos dos personagens de improviso, escolhendo na hora quem dublaria quem. Concluída a nova versão do episódio, era hora de conferir o resultado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fernando: Até que ficou bom, né...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas faltava uma opinião externa para realmente atestar o sucesso da empreitada. José Luis ? irmão de Antônio ? apareceu na área e foi o primeiro a assistir a sacanagem. E antes de terminar sentenciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;José Luis: Quero participar dessa merda. Me põe aí dublando qualquer um...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat02.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat02.jpg" width="157" height="148" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou decidido que José Luis dublaria a voz do Comissário Gordon, e assim foi feito. No mesmo estáile de Fernando e Antonio, José Luis colocou sua voz no filme e passou a ser o terceiro e último participante da dublagem. Aos poucos, os amigos foram aparecendo e tomando conhecimento de todo um novo conceito em seriado do Batman, e como a casa de Fernando era o ponto de referência para reunir a patota antes de cair na noite paulistana, não demorou muito para a fita virar febre. Os empréstimos passaram a ser inevitáveis, todo mundo queria mostrar na festa, no churrasco, para o pai, para a vó. Uma falta de desorganização total até que aconteceu o que os proprietários temiam. A fita original ? ali por volta do começo dos anos 90 - simplesmente desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;COMO É QUE PODE SER VERDADE UMA PORRA DESSA&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fita sumiu das mãos de seus progenitores para cair no underground. Cópias e mais cópias foram feitas, e quem não as possuía, certamente já ouvira falar de uma lendária fita com a dublagem de um episódio do Batman. A brincadeira seguiu seu caminho natural, tocando o terror em churrascos, festas e reuniões em geral. E de cabeçote pra cabeçote, artesanalmente, foi ganhando ferrenhos admiradores. A origem do material já se perdera no tempo, e muitas eram as estórias de como e quem havia produzido a dublagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat06.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat06.jpg" width="266" height="168" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;em&gt;Os responsáveis no primeiro encontro&lt;/em&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não poderia deixar de ser, o conteúdo da fita ? mais precisamente a cena no escritório do Comissário Gordon ? foi transformado em arquivo de vídeo para computador, e não demorou a ser amplamente disseminado através da internet. Em território livre para especulações, surgiram na rede mundial de computadores as mais estapafúrdias explicações para sua feitura. Um email com o título "eu sei quem fez a fita do Batman" impregnou as caixas postais, afirmando ser o dono da verdade. E assim circulou até chegar aos olhos de Fernando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de 2003, Fernando - então com 40 anos, trabalhando com venda de automóveis, casado e sem filhos ? tremeu na base quando se deparou com o email que propunha desvendar o mistério da lendária gravação. Afinal, ele que tinha feito! E não conseguia acreditar que mais de 20 anos depois a brincadeira estava viva. E apavorando geral. Na mesma hora, respondeu ao email corrigindo algumas informações. Quando recebeu a resposta, o susto foi ainda maior. Do outro lado, alguém o tratava com grande reverência, e solicitava que ele acessasse um determinado site. Sem demora ele entrou no site e estava lá: a gravação do seriado do Batman dublado para download. Imediatamente, ligou para Antonio ? hoje consultor financeiro do Itaú Vida e Previdência e também casado e sem filhos ? e largou a bomba no peito do camarada e também autor da brincadeira. Os dois ficaram sem ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá pra cá, Fernando Pettinati e Antonio Carlos Camano ? Batman e Robin, respectivamente ? viraram ídolos. Ainda em 2003, um encontro foi organizado por Fernando Chiocca ? o rapaz do email (leia entrevista mais abaixo) ? para finalmente apresentar e celebrar os dois responsáveis pela gravação. Enquanto isso, o sucesso do filme na rede foi aumentando e explodiu em 2005. Estima-se que já tenha sido visto por mais de um milhão de pessoas. No Orkut são quase 50 comunidades referentes à dublagem, e milhares e milhares de adeptos discutindo e brincando com os diálogos. Frases malcriadas que entraram definitivamente no cotidiano das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um mês atrás, Fernando e Antonio foram convidados para um encontro na UNICAMP organizado pelo fã Glauber de Oliveira Costa, e arrastaram uma multidão insana para o evento. Em Curitiba foi organizada uma festa temática, com exibição do filme e tudo que tem direito. Os pedidos de entrevista chegam diariamente. E no meio dessa confusão, ainda inebriados pelo sucesso repentino, Fernando e Antonio concederam entrevista para o Jornalista de Merda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat10.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat10.jpg" width="400" height="140" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;em&gt;Dando explicações na UNICAMP&lt;/em&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Se a dublagem fosse feita hoje em dia vocês acreditam que o sucesso seria o mesmo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Se fosse fazer uma coisa de estúdio não ficaria tão legal. A falta de recursos deixou a brincadeira mais legal. Foi tudo espontâneo. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio: &lt;/strong&gt;Com certeza ficaria diferente se fosse feito hoje em dia. A sonoplastia foi feita toda com a boca, tudo caseiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Vocês costumavam fazer esse tipo de atividade explorando o humor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Nós nunca havíamos feito algo do tipo. Nós falávamos muito palavrão, bobagem, adolescente sabe como é. Eu sempre fui muito tirador de sarro, então nós tínhamos algumas sacadas boas. Era da natureza da gente mesmo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; O Antonio Carlos é meu amigo de infância, então a gente já tinha intimidade nas brincadeiras, o mesmo senso de humor, ele adora tirar sarro. Mas nunca havíamos feito nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Como foi a repercussão na época?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Na época meu irmão viu, mas nem lembrava direito. Meus primos viram. Mostrei para o meu pai, todo mundo dava risada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Eu também mostrei para os meus pais e uns tios meus e eles deram risada na época, mas eu fiquei muito envergonhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat04.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat04.jpg" width="194" height="152" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;A fita se perdeu e vocês nunca mais ouviram falar dela?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Não. Nós fomos descobrir que virou uma coisa meio cult, uma espécie de lenda sobre um filme do Batman dublado agora nos encontros. E isso não chegou até a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Qual foi a reação de vocês ao perceberem a dimensão que tudo tomou? E quando isso aconteceu?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Senti que as coisas tinham tomado uma grande proporção agora no encontro da UNICAMP. Dá até medo. As pessoas te olham como se você fosse um grande ídolo. A ficha do Antonio Carlos já caiu, a minha ainda está caindo. Você dar autógrafo por um vídeo gravado há tanto tempo é muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Quando o Fernando Chiocca organizou o primeiro encontro eu fiquei um pouco preocupado. Nós ficamos distantes, eu fiquei 18 anos sem ver a fita. Mas resolvemos encarar isso tudo. Chegando lá estava lotado. Foi uma surpresa muito grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat07.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat07.jpg" width="400" height="155" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;em&gt;Fernando Pettinati e Antonio Carlos Camano&lt;/em&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM: &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Como é ser tratado como ídolo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Eu não levo em conta os autógrafos, não me vejo como celebridade. As pessoas querem tirar foto, acho ótimo. Mas o que eu enxergo é que fizemos uma coisa que as pessoas dão risada. O brasileiro é muito carente de diversão. Foi uma coisa muito espontânea. Eu me divirto muito em saber que as pessoas dão gargalhadas com isso. Acho sensacional.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; É meio estranho. Eu sou um cara tímido. Estou muito melhor do que eu era, mas ainda fico um pouco constrangido. E daí o pessoal fica me olhando, querendo que eu fale no microfone. Eu não estou acreditando em mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Não aborrece em nenhum momento?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Eu levo as brincadeiras na boa. Não me aborreço mesmo. Gosto, acho muito bacana o pessoal levar tudo no bom humor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Eu acho muito bacana o assédio. É uma satisfação. Não incomoda de jeito nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; E a repercussão entre os conhecidos?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Os meus amigos ficaram surpresos. Começam a me chamar de Robin. Alguns já tinham visto e não sabiam que eu tinha participado. Mostrei para a minha esposa, ela sabia só de eu falar e gostou muito quando viu. &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Minha esposa agora viu, deu muita risada. Mas antes desse sucesso ninguém sabia. O pessoal do trabalho já sabe, quer tirar fotos, querem exibir em churrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat09.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat09.jpg" width="410" height="140" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;em&gt;Com os fãs na UNICAMP&lt;/em&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Vocês tem pretensão de fazer uma outra dublagem no mesmo estilo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Por enquanto não temos pretensão. Quem sabe um dia eu chamo o Antonio Carlos e a gente vê no que dá. Se ficar bom a gente divulga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Temos um pouco de receio de fazer outra coisa. Além do que hoje tem uma legislação. Apesar de que temos o respaldo legal de poder fazer sem diminuir o filme, esculhambar os atores. É possível fazer a sátira. Teríamos a responsabilidade de fazer algo muito melhor, no mínimo igual. Todo mundo pede muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Falando em legislação, vocês receberam alguma notificação da detentora dos direitos autorais?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Nós não colocamos na internet e não comercializamos nada. Foram terceiros que disponibilizaram, foram terceiros que arrumaram novas imagens para melhorar a qualidade do vídeo, então não temos essa preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat05.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat05.jpg" width="201" height="130" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Vocês tem algum projeto relativo ao material da dublagem?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Nós estamos montando um site com uma empresa especializada. Acredito que em 15 ou 20 dias deve estar pronto. E em relação a exploração do material acho que vai ser possível divulgarmos a imagem sim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Estamos juntando todo o material para disponibilizar no site. Eu recebo email de vários países mostrando material relativo ao filme. Têm músicas utilizando os diálogos do filme, festas, vídeos com referências, muita coisa bacana. Além disso, será um ponto de encontro do pessoal que gostou da dublagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Circulam pela internet dois outros episódios do Batman dublados no mesmo estilo, só que feito por outras pessoas. Vocês já viram?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; Eu vi um deles e gostei.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Eu também vi um só e achei engraçado. Encaro como uma homenagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Pra finalizar, qual a cena que vocês mais gostam?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio:&lt;/strong&gt; Eu gosto muito quando o Robin intima a Clotilde na lanchonete. Talvez seja a minha preferida.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando:&lt;/strong&gt; A cena que eu mais gosto é quando os dois estão na Batcaverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;AHHH, VOCÊ NÃO É AQUELE VIADINHO?&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de o vídeo alcançar um estrondoso sucesso na internet, a sacanagem com a dupla dinâmica já fazia muito sucesso na casa de Fernando Chiocca. Seu irmão mais velho pegou emprestada a fita com a dublagem de um amigo do colégio Dante Alighieri em 1991. Deste então, Fernando passou a cultuar a brincadeira com o Batman exibindo sempre que possível aos amigos. A devoção rendeu um site (&lt;a target="_blank" href ="http://www.porrabatima.cjb.net"&gt;Porra, Batima!&lt;/a&gt;) sobre a fita, que foi passo decisivo para a popularização. Teve a sorte de encontrar o xará Pettinati pela internet e foi o responsável pelo primeiro encontro dos fãs com os a dupla da lendária gravação. Saiba um pouco mais como isso tudo aconteceu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; O que te levou a fazer o site?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Chiocca:&lt;/strong&gt; O filme fazia parte da minha vida, era algo que ficou enraizado em minha personalidade. Passamos (eu e meu grupo de amigos) a falar as frases do filme em todas as ocasiões. E agora na internet vi que esse é um fenômeno comum em inúmeras turmas. Como era fã do filme, um dia estava sem nada pra fazer e fiz o site de brincadeira, apenas pra mostrar pros amigos, mas também com o remoto intuito de encontrar os criadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; Como encontrou eles?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Chiocca:&lt;/strong&gt; Depois de alguns anos com o site no ar eles me encontraram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="bat08.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/bat08.jpg" width="271" height="152" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;em&gt;Fernando Pettinati, Fernando Chiocca e Antonio Camano&lt;/em&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; E como funcionou o encontro?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Chiocca:&lt;/strong&gt; Foi no dia 12 de agosto de 2003. Quando eles me encontraram me mandaram um email dizendo serem os responsáveis pela fita. Pelas informações contidas no email eu percebi que tinha grandes chances de serem os verdadeiros criadores, já que durante todos esses anos surgiram diversas lendas a respeito dos mesmos. O Fernando me mandou um email com o telefone e na hora eu liguei e ouvi a voz do Batman! Foi incrível, ele não imaginava que tinha uma legião de fãs. A noticia se espalhou e minha galera começou a exigir o encontro. Uma semana depois desse email o encontro estava organizado e armado. Foi sensacional, uma breve descrição do que rolou está no meu site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; O que você achou dos caras por trás das dublagens pessoalmente?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Chiocca:&lt;/strong&gt; Mantenho contato com eles até hoje. O robin me liga direto. Achei os caras uns puta figuras, aliás, muito parecidos com os personagens dos filmes. O Robin (Antonio) é um desbocado e o Batman (Fernando) faz um tipo mais sério, mas é muito engraçado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JdeM:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; O que te fascinou tanto no vídeo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Chiocca:&lt;/strong&gt; É uma das coisas mais engraçadas que já vi. A primeira vez que eu ria tanto que perdia a fala, minha barriga doeu muito de tanto rir. Depois, as falas do filme ficaram na minha cabeça e estão nela há mais de dez anos. Vai entender. Talvez eu fosse uma mente com um vocabulário pobre, cheio de lacunas, este filme veio a preencher este vácuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;PUTA PUTEIRO DO CARALHO&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- na mesma fita em que foi gravada a dublagem do seriado do Batman, Fernando gravou uma dublagem por cima do programa "Qual é a música" de Silvio Santos. No mesmo estilo, mas com menos palavrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o nome do episódio é "Um adversário à altura de um medonho bandido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- quando Fernando diz "Robin, modere o seu linguajar, por favor" era para Antonio parar de falar tanto palavrão, já que eles não sabiam quem poderia assistir a fita depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fernando dublou os seguintes personagens: Batman, Coringa, Dick e Chefe Ohara. Já Antonio dublou Robin e Clotilde. Nos personagens secundários eles se revezaram. José Luis, irmão de Antonio, dublou o Comissário Gordon. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A música "Feira da Fruta" é do Grupo Capote, que acompanhava Tom Zé no início dos anos 70. O Capote fez a primeira fusão entre o rock e o baião. Ficou famoso ao lado de Odair Cabeça de Poeta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num carnaval na casa de uma tia em Salvador, Fernando comprou o compacto simples do grupo Capote que continha "Feira da Fruta", sucesso em 1973. Quando resolveu utilizar a música como fundo na gravação a intenção dele era que as pessoas achassem que a música dizia "filha da puta", como de fato parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- os dois estavam sóbrios quando conceberam a dublagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pai de Fernando (já falecido) era engenheiro e foi responsável pela construção do prédio onde os dois moravam, nos Jardins. A amizade aconteceu pelo pai de Antonio ser dentista e cuidar do pai de Fernando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fernando havia dublado o Comissário Gordon, que acabou ganhando a voz de José Luis (irmão de Antonio) na seqüência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- os três principais personagens do seriado, Batman, Robin e Coringa eram feitos pelos atores Adam West, Burt War e Cesar Romero, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a palavra "puta" é falada 42 vezes durante os quase 25 minutos do episódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Letra de &lt;strong&gt;Feira da fruta&lt;/strong&gt; do &lt;em&gt;Grupo Capote&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na feira da fruta&lt;br /&gt;Pra ver o que a feira da fruta tem&lt;br /&gt;Tinha laranja, morango e banana&lt;br /&gt;Só não tinha a jaca do meu bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feira da fruta é a feira mais cara&lt;br /&gt;A onde só da "pilão"&lt;br /&gt;Tem a feira tamanho família&lt;br /&gt;Tem até a feira do melão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feira da fruta hey!&lt;br /&gt;Feira da fruta ha!&lt;br /&gt;Feira da fruta hey!&lt;br /&gt;Feira da fruta ha!&lt;br /&gt;Feira da fruta hey!&lt;br /&gt;Feira da fruta ha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;DA ONDE VOCÊ TIROU ESSE BAT-ESCUDO, HEIN?&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;OPÇÕES DE DOWNLOAD DA DUBLAGEM: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.megaupload.com/?d=11ME2NYY"&gt;IMAGEM DE ALTA QUALIDADE (179MB)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Basta esperar 30 segundos para o download ser liberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://atum.lab.ic.unicamp.br/Batiman.mpeg"&gt;Formato MPEG (240MB)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formato AVI (106MB)  &lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="ftp://timeneura.livrenet.net/batiman.zip "&gt;1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.sentinelas.org/batiman/batiman.avi "&gt;2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formato WMV (8x 4,8MB) &lt;br /&gt;Caso tenha problemas, você pode baixá-lo em partes, através destes dois grupos: &lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://br.groups.yahoo.com/group/filmedobatman"&gt;Partes 1 a 4 &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://br.groups.yahoo.com/group/filmedobatman2"&gt;Partes 5 a 8 &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.astro.ufsc.br/~andre/hoho/lixos/Batiman.avi"&gt;NOVO LINK (14/05/05) &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href =" http://amazonia.ltc.ic.unicamp.br/~glauber/encontro-large.avi"&gt;LINK PARA BAIXAR O VIDEO DO ENCONTRO COM OS DUBLADORES NA UNICAMP (200MB)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href =" http://www.gardenal.org/jornalistademerda/2003/06/index.html"&gt;TODAS AS FALAS DA DUBLAGEM DO FILME DO BATMAN&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.batima.org"&gt;FOTOS DO ENCONTRO NA UNICAMP&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://rapidshare.de/files/2978419/Grupo_Capote_-_Feira_da_Fruta.mp3.html"&gt;MP3 DE FEIRA DA FRUTA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;obs: é só clicar em FREE na tabela no pé da página e esperar alguns segundos para o download ser liberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.myspace.com/batiumascrew"&gt;MÚSICAS UTILIZANDO OS DIÁLOGOS DA DUBLAGEM&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/sp8b.html" onclick="window.open('http://www.gardenal.org/jornalistademerda/sp8b.html','popup','width=373,height=500,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"&gt;IMAGEM DO CARTAZ DA "FESTA DO BÁTIMAN" EM CURITIBA&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PERFIS DOS DUBLADORES NO ORKUT&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3685169551912576301"&gt;Fernando Pettinati (Batman)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11463807424824000494"&gt;Antonio Carlos Camano (Robin)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agradecimentos:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fernando Chiocca e Glauber de Oliveira Costa pelas fotos que ilustram essa matéria. Comunidades "&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=43843"&gt;Filme do Batiman&lt;/a&gt;" (moderador Marcos Ludwig) e "&lt;a target="_blank" href ="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=72570"&gt;Bateman - Feira da Fruta&lt;/a&gt;" (moderador Ivan Bucchioni Souza) de onde vieram os links para download.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-112292821277839493?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/112292821277839493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=112292821277839493&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112292821277839493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112292821277839493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/08/modere-o-seu-linguajar-por-favor.html' title='Modere o seu linguajar, por favor!'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-112274495007370365</id><published>2005-07-30T14:34:00.000-03:00</published><updated>2005-07-30T14:35:50.083-03:00</updated><title type='text'>Bate que eu gamo</title><content type='html'>Com o advento das lutas de vale-tudo o boxe ficou um tanto quanto esvaziado para a minha pessoa. O afastamento de Balboa e Apolo Doutrinador das lonas já havia me desmotivado consideravelmente, o tempo passou e a falta de desorganização ficou total. Convenhamos, a graça de ver duas pessoas se enxugarem na bordoada atingiu níveis nunca dantes imaginados com a aparição dos embates em que tudo ? quase tudo, vá lá ? é permitido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Popularizado, todo esse novo conceito transformou a milenar arte do pugilato numa prática quase infantil para os entusiastas da porrada moderna. Ninguém em sã inconsciência trocaria voadoras, joelhadas e cascatas de sangue por socos com luvas gigantescas intercalados pelo nefasto clinch. Em suma, o boxe passou a rivalizar em emoção com aquelas lutas com cotonetes gigantes em cima de uma trave. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava assim até o dia em que me dirigi às dependências do número 629, da Rua 13 de Maio no centro de Curitiba, capital do Paraná. Responde por este endereço o teatro Lala Schneider, e é claro que eu não estava lá para assistir uma peça. Eram jogados cinco de abril do ano corrente e lá eu iria para engrossar a audiência de uma luta de boxe e aprumar minha opinião a cerca desse esporte que tem gente que diz que não é esporte. Desta feita, Rodrigo Abud não me acompanhava, visto que se encontrava em lugar incerto e não sabido. Ao meu lado, Eduardo Santana, bróder apesar de jornalista, e Hugo Pontoni, também jornalista e responsável pelos shots à meia luz que ilustrarão essa reportagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada, mandamos aquele carteiraço amigo para não pagar nada, afinal, apoiamos a causa do esporte amador. Isso descontando a visão privilegiada que teríamos mesmo tendo chegado muito depois de todas as pessoas que pagaram ingresso e disputaram uma cadeira bem posicionada. Coisas de Laurinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac01.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac01.jpg" width="184" height="122" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem cá. Eu nunca tinha ido ao Lala e fiquei muito bem impressionado com suas instalações. Um teatro pequeno e aconchegante, em ótimas condições para abrigar um incêndio. E se encontrava tomado por uma platéia ávida por boas combinações de socos. Senhores e senhoras de idade, moços e moças, despombalizados em geral. Nós chegamos no desenrolar de uma luta amadora, prevista na programação, aprumamos os nossos por ali e passamos a degustar o combate. E foi preciso apenas uma muca certeira para todo um conceito cair por terra. QUE BÍFA, MALUCO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac02.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac02.jpg" width="184" height="120" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionado pela pujança do golpe, o óbvio ululante se adonou das minhas portas da percepção. Reitero: a turma xóxa a porrada sem lei. Assistindo pela televisão não se tem a real dimensão da potência das lapadas. Ao vivo são outros quinhentos. No caso das lutas amadoras, os participantes utilizam aquele simpático capacete protetor, o que eu acredito não deva fazer muita diferença na absorção dos tiros, influindo apenas se grau 10 ou 9 de enxaqueca nas duas semanas posteriores a luta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De bem com a verdade do boxe, aos poucos fui me dando conta dos detalhes do espetáculo. Nada como uma parada roots. É claro que todos gostariam de dar um tapa na cabeleira do Don King em algum cassino de Las Vegas, especialmente aqueles que empregam um tutu na jogada. Mas o glamour da alta roda do boxe mundial certamente não tem o charme dos combates no underground. A começar pelo gongo manual, que recebe tratamento de diva nas mãos do responsável pelo tilintar obrigatório do esporte. Podes crer, amizade. Clube da Luta perde feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac03.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac03.jpg" width="184" height="155" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O combate amador preliminar se desenvolveu sem que houvesse um vencedor por nocaute, o que acirrou os ânimos dos presentes para as próximas lutas. Geral queria ver alguém beijando a lona haja o que hajesse. Nós também, claro. E essa expectativa tinha tudo para ser saciada nos próximos minutos, com a disputa principal da noite. E nada melhor para anuncia-lo que a música tema de Rocky, que invadiu o recinto bombada nos alto-falantes do teatro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;strong&gt;A hora e a vez do olho de tigre&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, Macáris do Livramento, 44 anos, o vovô do boxe para os íntimos, 107 lutas, 104 vitórias e minguadas três derrotas. Seu oponente, o argentino Hiládio Gomes, 39 anos, o desafiante, dono de um cartel com 69 lutas, 51 vitórias e 18 derrotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria o embate da experiência e técnica de Macáris contra a malícia portenha de Hiládio. E bastaram algumas sapateadas sobre a lona para ficar bem claro que o argentino seria um adversário deveras manhento. Mas ao que tudo indicava o velho Maca não cederia à catimba do adversário. Soa o gongo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac18.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac18.jpg" width="400" height="163" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na fase de estudos iniciais, percebeu-se que a luta seria a caça do gato Macáris ao rato Hiládio, sem qualquer conotação homossexual ou preconceituosa. Mas apesar de postar-se na retranca - utilizando da arte do tango para compor sua ronda pelo tablado ? Hiládio merecia todo o respeito de Macáris, que evitava lançar-se ao ataque esbaforidamente como bem faria Clubber Lang. Soltava alguns jabs, cruzados, apenas cozinhandinho. Aos poucos, os golpes do dono da casa iam encaixando, e a cada boa seqüência a torcida urrava em êxtase com a iminência de nuestro hermano deitar o cabelo. Literalmente, no caso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas claro, se havia um Balboa canarinho de um lado, por que não poderia haver uma versão argentina do outro? Pois era o que a torcida incrédula constatava. Hiládio Gomes adotara a velha e manjada tática do Garanhão Italiano, agredindo sem parar a mão de Macáris com sua face. E quando a cidadela de Hiládio parecia vencida e o mesmo prestes a desabar, eis que ele permanecia ereto, sufocando o grito preso na garganta da rapaziada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac17.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac17.jpg" width="400" height="135" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que no quinto round o caldo engrossou para a representação argentina. Macáris apresentou todo o seu repertório de golpes pilando Hiládio Gomes. A torcida ficou de pé e aplaudiu o quase linchamento que, não se sabe como, não configurou em nocaute. Sexto round e nada, lá estava Hiládio, faceiro, maroto, esquivando pendularmente das direitas e esquerdas possantes que furavam o sinal em sua direção. Eis que no sétimo round o Lala Schneider recebeu o que queria: tá lá um corpo estendido no chão! O de Hiládio, no caso. O juiz abriu a contagem e ultrapassados os dez segundos regulamentares decretou Macáris vencedor da luta por nocaute. Com todos saciados, o dono da festa puxou o microfone pra dar aquela maguilada tradicional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac10.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac10.jpg" width="113" height="158" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeceu o apoio inestimável dos patrocinadores e anunciou a próxima disputa da noite. Subiriam ao ringue Rosilete Santos ? esposa de Macáris ? e a argentina Anália Martinez. E como diria aquele, nocautear sempre é bom, agora, nocautear argentino é muito melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac15.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac15.jpg" width="400" height="170" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;center&gt;Sai que é tua, Adrian!&lt;/center&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estréia, hein amigo? Se não bastasse a brincadeira menino contra menino, teríamos agora uma menina contra menina. Haja coração! E em se tratando de um combate feminino não se poderia esperar outra coisa que não a macharada em polvorosa. Os apupos vindos da platéia refletiam em nervosismo no semblante de ambas as lutadoras. Enquanto Rosilete parecia sentir a responsabilidade de representar a torcida, Anália demonstrava estar um pouco assustada com a situação. Mas sabe como é, foi só a luta começar pra jiripóca piar e as damas partirem para as vias de facto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosilete, no embalo da massa, partiu para cima de Anália, que tentava a sorte em raros contra-golpes. A pequenina desafiante suportava bem os ataques da brasileira e os rounds foram passando sem que fosse possível prever um desfecho. Foi quando a voz da família brasileira entrou em ação e selou o destino da até então muralha inexpugnável Anália Martinez: a chón! Postado no córner - em dupla função, atuando como esposo e técnico ? Macáris ordenou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai encher ou não ela de porrada, Rosilete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img alt="mac16.jpg" src="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/mac16.jpg" width="400" height="140" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A platéia urrou com a frase, mas foi um gaiato qualquer que deu o impulso fundamental para o encerramento da luta, e fez o teatro explodir de vez ao complementar sabiamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rosilete, OUVE TEU MARIDO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ungida pela palavra amiga vinda das arquibancadas, Rosilete ajustou o&lt;br /&gt;olho de tigre e pregou a mão em Anália que envergou, fez que foi, não foi, e acabou fondo parar na lona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor vencia mais uma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-112274495007370365?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/112274495007370365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=112274495007370365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112274495007370365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/112274495007370365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/07/bate-que-eu-gamo.html' title='Bate que eu gamo'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111984037438581793</id><published>2005-06-27T23:33:00.000-03:00</published><updated>2005-06-27T03:52:20.073-03:00</updated><title type='text'>Achados na Noite</title><content type='html'>Em seu estupendo álbum "Perdido na Noite", Agnaldo Timóteo embalou num bolero uma bela lição... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Somos amantes do amor liberdade. Somos amados por isso também. E se buscamos uma cara metade. Como metade nos buscam também. Estou perdido. Estamos perdidos. Mas a esperança ainda é real. Pois quando menos se espera aparece uma promessa de amor ideal"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram jogados 1976 e Timas ainda não encontrara o basta definitivo para seu coração em frangalhos. Estava perdido na noite de muitos, sempre à procura da mesma ilusão. Aparentemente, havia deixado de lado as idéias caóticas de um ano antes em "Galeria do Amor", quando o polêmico negrão confessou ter flertado com emoções diferentes ao freqüentar o célebre corredor da viadagem carioca. Mas seguia desgraçado da cabeça, se largando forte na náite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se quase 20 anos depois, Timóteo ainda brutalizasse em canções as chagas de seu coração vazio, agora num fim de feira total, humildemente eu lhe dirigiria uma palavra amiga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bróder, deixa com o béque..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem demora, partiríamos em alta velocidade para a Travessa da Lapa, quase esquina com a Sete de Setembro, onde reside o Clube dos Solitários. Local este que recebeu a última expedição da minha pessoa e da pessoa de Rodrigo Abud enquanto produtores desse site. Nos fizemos presentes nessa tal fortaleza do amor, espaço para enfim organizar as tampas em suas respectivas panelas. Curiosos pela notável fila de velhinhos que se aglomeram diariamente defronte às dependências do clube, fomos lá ver qual é da parada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contactos com o proprietário da brincadeira estavam todos agilizados por Abud, que não se limitou a acertar a pauta, foi muito além, e com apenas cinco minutos de conversa telefônica já possuía fortes laços de amizade com o mesmo. Seu nome: Rosaldo Pereira, um entusiasta do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Derrubou é pênalti&lt;/b&gt;&lt;/center&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aportei antes em nosso destino. O frio castigava a capital paranaense, e dada a meia dúzia de cinco ou seis que enfrentavam o sereno na porta do estabelecimento, nada parecia indicar um embalo de sábado à noite. Mas nós sabemos que os velhinhos são ordeiros, organizados, pontuais e incansáveis. Portanto, quando adentrei ao gramado em nada me estupefaceei ao constatar que, naturalmente, lá estavam todos a bailar. Minutos depois, Abud estava ao meu lado e a configuração de dupla foi acionada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs_andre_abud.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era assim um público de Fla-Flu, mas até que a terceira idade se adonava bonito do local. O clube é composto por dois ambientes distintos. Vencida a entrada, um grande salão recheado com mesas cobertas por toalhas brancas. E conjugado, um espaço para a dança com o palco e o bar. Destacado no cenário, um pequeno bunker à direita do palco, que de longa distância parecia ser a casinha do DJ. Descobrimos ser o paradeiro de ninguém menos que Rosaldo Pereira, que mostrava não ser somente o responsável pela burocracia do acontecimento, mas também por toda a programação musical. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Profissão Cupido&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante 10 anos, Rosaldo trabalhou na Rede Globo de Televisão, marcou presença na OM, CNT etc. Milita no rádio há mais de 30 anos, atuando em atrações musicais e jornalísticas. Atualmente, comanda o programa "Em nome do Amor" na rádio Colombo, mega sucesso no ramo casamenteiro, com simplesmente 3.800 enlaces oficiais registrados desde janeiro de 1982, data em que foi ao ar pela primeira vez. Tanto sucesso fez a audiência sentir a necessidade da realização de uma celebração, e daí nasceu a idéia de reunir os ouvintes num baile. No dia sete de setembro de 1990 o Clube dos Solitários abriu as portas. E passados quase 16 anos já atingiu a marca de 640 casamentos oficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo mundo pedia uma festa, um baile, e o clube supriu essa vontade de ter um ponto de encontro dos ouvintes do programa", relembra Rosaldo. O evento foi crescendo e na medida da participação das pessoas carecendo de locais mais amplos para a sua organização. Sendo assim, mudou de endereço diversas vezes, mas na Travessa da Lapa já são seis anos ininterruptos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como apresentador do programa e organizador do baile, Rosaldo não poderia se furtar aos convites para ser padrinho dos casamentos arrumados graças ao programa e o baile, e por muito tempo morreu numa grana nervosa pra agradar a turma. "Gastava muito dinheiro sendo padrinho de tanto casal, aí passei a recusar gentilmente os convites", explica o Santo Antônio das Araucárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, o pai da matéria nunca foi um coração solitário. Rosaldo é casado há 25 anos, e conta com a ajuda da esposa que trabalha no bar. A casa abre de quarta a domingo, e o ingresso vai de dois a cinco cru-crus dependendo do horário. Sábado é dia de som ao vivo, sempre com uma banda diferente. E quando o som mecânico é que comanda, Rosaldo ferve a pista com country, pagode, forró, xóte, boleros, vanerão e derivados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com picos que chegam a 940 pessoas, dá pra descolar um numerário gostoso com o evento, mas não é possível tocar a vida só dando uma de cupido. "Não posso negar que tenho um retorno financeiro, mas não é o suficiente. Temos uma série de gastos, como com segurança, por exemplo", revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs06.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais de 4.440 casamentos no cartel proporcionaram histórias incríveis das pessoas que apostam nas cartas para encontrar o grande amor de suas vidas. Dentre tantas, Rosaldo destaca uma realmente muito curiosa. "Uma das passagens mais incríveis foi a de um casal que ficou cinco meses trocando cartas através do programa, marcaram de se conhecer e quando chegaram ao encontro descobriram que eram vizinhos de frente". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Passeando de Fusca&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenrolo com o MC, DJ e chefão do esquema foi muito agradável, e sua pequena enterprise musical era mesmo aconchegante, mas eu e Abud carecíamos de um pouco de adrenalina correndo nas veias. E nada melhor que dar aquela riscada nos tacos para ficarmos bem mais à vontade. Para tanto, contamos com a colaboração de duas nobres senhoras, que gentilmente nos concederam o prazer de um breve saracoteio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs_danca.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a mão de Margarida repousou suavemente sobre a palma da mão de Abud, ao mesmo tempo em que Marili Lúcia apresentou-se para ser o meu par. Pouco à vontade nos compassos gauchescos, mandamos um magro dois por dois pra não machucar os pés de tão simpáticas companhias. No ligeiro papo sobre amenidades, descobrimos serem as duas descasadas e à procura de um namorico de portão. Agradecidos pela importante introdução ao mundo da dança, nos despedimos e deixamos as duas senhoras novamente livres para voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;White Dance Machine&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto flanávamos pelo salão, atentamos para uma figura que parecia ser o responsável por distribuir os coletes na pelada, tamanha era a categoria com que se portava. Seu nome: Wenceslau. Não tinha tempo ruim. Mudava a faixa e lá estava ele sempre acompanhado circundando o salão. Wenceslau parecia ter fugido de um parque de diversões com atrações humanas, devido à precisão cirúrgica com que executava seus movimentos de baile, tanto indo como vindo, sempre de forma absolutamente idêntica. Sua despigmentação e o repertório enxuto de breaks nos sugeriu um condinome para ele: o Carrosel Albino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs_wenceslau.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardamos os três segundos regulamentares que Wenceslau costumava ficar sem par para interpela-lo e rapidamente descobrimos ser ele mais do que um dançarino de presença, mas principalmente uma figura simpaticíssima. Habitué do clube - são cinco anos no currículo - Wenceslau quer casar. "Sempre pinta uma namorada aqui, outra ali, mas eu estou procurando um compromisso sério", declarou. Na sequência, perguntamos qual o seu ritmo preferido, visto que se tratava de um bailarino contumaz. "De 42 a 45 anos", despombalizou ao se referir à faixa etária que procurava, não dando bola pro questionamento. Pois então tivemos que insistir: qual tipo de dança você mais aprecia? "Domino mais o xóte e o vanerão", atacou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Ralando as partes&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não mais que de repente sentimos um forte fluxo de libido no ar. E foi só bater os olhos para sabermos de onde era emitida a potente onda sexual que inundava a pista de prazer. Francisco e Consuelo transpassavam as pernas com energia, encaravam um ao outro com olhos de sedução, se arranhavam felinamente, escancaravam ao mundo que o solavanco ali era somente uma questão de tempo e oportunidade. Formavam de longe o par mais sensual da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abordados para a execução dos flashs, Consuelo questionou Abud se ele não era protético, não se sabe com qual fundamento. De certo, apenas que a quarta-zaga e zaga-central de Francisco estava um tanto quanto desguarnecidas. Devidamente clicados os dois voltaram aos movimentos peristálticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cs11.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda Bela Vista já enchia as caixas com a sonoridade dos pampas quando eu e Abud decidimos mudar de ambiente, desfrutar um pouco de recolhimento no lounge. Sentamos à mesa e passamos a filmar a rapaziada idosa interagindo animadamente entre uma cervejinha e outra. E, registre-se, o público do clube não é composto apenas daqueles que utilizam as portas traseiras do transporte coletivo. Um número razoável de jovens também se fazia presente, mas a terceira idade comanda, especialmente no domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o adiantado da hora, e saciados em nossa curiosidade, decidimos nos evadir do local. Os corações devidamente abastecidos de alegria. E, após conhecer o clube, uma velha canção dos Originais do Samba bombando na mente: "se você saiu por aí e não conseguiu arranjar alguém, deixe que alguém saia por aí e consiga arranjar você". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Programa Quadro Casamenteiro&lt;/strong&gt; - das 22 às 23hs de segunda a sexta na Rádio Colombo do Paraná AM 1020 Khz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.clubedossolitarios.com"&gt;Clube dos Solitários&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - Travessa da Lapa, nº 30 - Centro&lt;br /&gt;Fone do Clube: (41) 3019-6160&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111984037438581793?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111984037438581793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111984037438581793&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111984037438581793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111984037438581793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/06/achados-na-noite.html' title='Achados na Noite'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111925190332079408</id><published>2005-06-20T04:06:00.000-03:00</published><updated>2005-06-21T01:10:03.466-03:00</updated><title type='text'>O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional15.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela frente, uma empreitada das mais complexas: desvendar o mistério do Racional Superior. Afinal, tá tudo muito legal, bonito, muito hahaha, huhuhu, mas quem é que vai pagar a conta? Todo mundo se apresentou para a degustação do Tim Maia Racional. Agora, na hora de encarar o cerne da questã, averiguar do que se trata a parada, neguinho diz que está indo ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de um contato, Rodrigo Abud passou a ter ligações estreitas com a Cultura Racional da capital do Paraná. Conheceu e sedimentou amizade com um de seus representantes mais evoluídos, e iniciou um lento processo de integração a esse novo e desconhecido mundo. E contando com a simpatia e anuência de Seu Renê, o Papa da Cultura em Curitiba e seu novo brou, Abud programou sem demora um rolê com a rapaziada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simpatizantes da Cultura Racional promovem semanalmente uma espécie de peregrinação pelos bairros de Curitiba. Escolhem uma localidade e percorrem a pé suas entranhas, distribuindo panfletos, prospectos, desfilando em ritmo de autocelebração. Dependendo da disposição, a Banda Racional puxa a fila, executando os hinos da entidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 17, Abril, pela manhã, lá estaríamos nós. Contudo, para evitar gafes, Abud fez algumas recomendações. Roupas pretas, sem chance. E para nos sentirmos mais à vontade, nada melhor do que vestirmos nossas peitas da Cultura, adquiridas por mim há alguns anos a fim de registrarmos indiretamente o nosso apreço a tão encantadora obra composta por Sebastião Rodrigues Maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registrado na agenda, cerca de quinze anos depois, estaria eu novamente despertando cedo num domingo. Desta feita, em nítida vantagem, pois não teria que aguardar o Globo Rural nem o Som Brasil para sentir a presença de vida no planeta Terra. Passado o alvorecer, um compromisso me aguardava. Abud estaria a postos na praça Rui Barbosa, aguardando por minha viatura para seguirmos rumo ao encontro da Cultura Racional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrasado que estava fui obrigado a utilizar o Modus Nigel Mansell de direção ofensiva para chegar a tempo. Avistando o Abud na esquina combinada, buzinei duas vezes, reduzi para 170km/h, aproximei suavemente a rodonave do meio-fio, firmei a mão direita no volante e com a esquerda fui abrindo o vidro do passageiro. Segundos antes de cruzar a fera, reduzi para quarta (130km/h), terceira, com a mão esquerda ajeitei o espelhinho, com a direita aumentei o volume, Abud saltou espetacularmente e alojou-se no banco ao meu lado. Cumprimentos efusivos e, novamente, a parceria se fazia ao vivo e a cores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Boa Vista, segura as pontas&lt;/b&gt;&lt;/center&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o caminho, Abud foi me passando um pouco de seus novos conhecimentos a respeito daquela que não é seita, não é religião, não é espiritismo, ciência, doutrina, filosofia, não é extraída de nenhuma mente humana, é um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem, ditado pelo racional superior. Panfletos, prospectos, um farto material impresso. Por último, um compact disc do 1º Festival da Canção Racional, o qual fomos degustando no cumprimento do longo caminho até o bairro da Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rua Fernando de Noronha era a nossa referência para encontrar a turma. Entretanto, devido ao adiantado da hora, eis que todos já haviam se evadido do local, o que nos obrigou a empreender uma diligência em captura dos andarilhos imaculados da Cultura Racional. Bisbilhotamos quadra por quadra até que, lá na frente, uma figura, plantada na esquina, se destacava no cenário. Não por acaso. Trajando um Racional Esporte Fino, um senhor de tez black explodia em contraste e nos dava a certeza de ter encontrado o rebanho do Grão Mestre Varonil. Alertado por Abud para o cumprimento de praxe, um "salve" com a mão estendida, saudamos respeitosamente nosso parceiro de jornada.  E descendo a ladeira, lá estavam os demais, numa base de umas 50 pessoas vestidas de branco dos pés à cabeça, um congraçamento ordeiro prestes a singrar todas as vielas do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos nos aproximando na humildade, e já disparamos mais alguns "salves" pelo caminho ao cruzar com nossos irmãos puros, lindos e perfeitos. Avistando um de nossos contatos, balizamos nas intermediações e nos apresentamos. Sem demora, fomos levados ao encontro de Seu Renê. Foi quando se deu o momento maior, um ato de força simbólica incalculável. Eis que Seu Renê - aquele que tudo sabe, que tudo vê - ainda não havia cruzado com as enciclopédias sonoras de Sebastião Rodrigues Maia sobre a Cultura Racional. He never heard that before. E quem as apresentou para ele? Abud, por óbvio. Momento que não poderia ficar sem o devido registro pictórico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Papa, do alto de sua vida modesta e fecunda, nos agradeceu calorosamente, prometendo degustar o disquinho com carinho e afeto. E confessou ser fã da possante voz do negrão, e muito sabido do envolvimento do ex-síndico com os ditames do Racional Superior. Segundo Renê, Tim Maia passou de todos os limites, numa falta de desorganização terrível. "O Tim Maia caiu no fanatismo e se perdeu", apontou. O que condiz com as informações daqueles que conseguiram fuçar nessa controversa passagem da vida do Tim. De acordo com a célebre reportagem da revista Trip (número 94, de outubro de 2001), desiludido com a Cultura, ele saiu atirando para todos os lados. E corria à boca pequena que o atirando foi levado mesmo às últimas conseqüências. Um boato dizia que o cantor teria sentado o pipôco em Manoel Jacintho, o fundador da Cultura Racional. O que foi prontamente desmentindo por Seu Renê. "Não houve nada disso, o que ocorreu foi um problema com outra pessoa", disse, sem dar maiores detalhes sobre a origem do dedo nervoso. Somente que, apesar do tiro ter sido disparado à queima roupa, Manoel Jacintho - o Bruce Leroy brasileiro - escapou ileso da tentativa de homicídio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saciada a primeira polêmica, rumamos em marcha lenta para dentro do Boa Vista. Um dia agradável se descortinava, com os raios solares começando a romper as nuvens. À nossa frente, a Banda Racional Universo em Desencanto, entoando seus hinos para chamar a atenção dos moradores. Tudo numa relax, numa tranqüila, numa boa. Aos passantes e curiosos que deixavam o seio do lar para conferir a curiosa manifestação, distribuição de prospectos explicativos. No transcorrer de toda a extensa caminhada, Seu Renê esteve ao meu lado e de Abud, nos brindando com sua verve certeira. Pedimos a ele um desenrole do que é, de uma vez por todas, a Cultura Racional, tarefa que ele cumpriu com grande entusiasmo durante o jogging.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando a tropa em revista, notamos aquele tradicional caráter multi-facetado comum a todo tipo de organização ou desorganização brasileira. Gente de toda estirpe conectada ao mundo racional. A juventude carecia de maior representatividade, mas se fazia presente. Senhores, senhoras, meninos e meninas compunham o grosso do batalhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Resenha com Renê&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais de uma hora, o Papa esclareceu nossas mais ingênuas questões, iniciando por um tema que certamente aflige toda a humanidade: é possível consumir drogas, se exceder no álcool e transar livremente fazendo parte da Cultura Racional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é possível. Afinal, a partir da leitura e compreensão dos livros, o sujeito desenvolve espetacularmente o raciocínio e, naturalmente, estará apto a fazer o que quiser de sua vida. Seje perder o tampão da cabeça, seje enxugar geral, seje partir para o solavanco sem limites se assim achar bacana. Não perca tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para se ter uma idéia da pujança do conhecimento de Renê sobre a Cultura Racional, o mesmo diz já ter lido a obra completa seis vezes. Detalhe: são nada mais, nada menos, que 1006 livros. A saber: 21 livros que constituem a obra, mais 21 como réplica, outros 21 como tréplica e 943 dos chamados "livros históricos", que não constituem verdadeiramente livros, mas algo como pequenos fascículos extemporâneos. Mas que disposição! Não deve sobrar tempo para ler mais nada, nem caixinha de pasta de dente no banheiro. Mas voltemos aos caravaneiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos desciam e subiam as ladeiras com vigor admirável, enquanto na rabeira, eu, Abud e Renê seguíamos absolutamente entretidos na resenha. O Papa costurava com propriedade sobre todos os assuntos, mostrando desenvoltura até nos temas mais polêmicos, como a questão do cascalho. Não seria uma maneira de lucrar a formação e venda da maior bibliografia do planeta? O Papa diz que não, e explica. "Nós não temos qualquer lucro na Cultura Racional. Os livros são impressos em nossa própria gráfica, e contamos com a disposição dos estudantes para o resto da produção. Pelo contrário, os estudantes se habilitam a gastar do próprio bolso na confecção de material de divulgação. O dinheiro que entra é gasto na manutenção da gráfica e do retiro, além de outras atividades". A Cultura Racional possui um retiro no Rio de Janeiro, onde todo o ano acontece um encontro reunindo os adeptos do Brasil inteiro numa confraternização em meio aos estudos do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tali e coisa, coisa e tali, até que a maior polêmica da tarde se adonou do local. Segundo Renê, a leitura, ou melhor, o estudo dos livros equivale ao conhecimento de 184 faculdades. Mais ou menos. Mesmo assim, é coisa. E daí então, viria toda a malemolência do discurso do homem. "Eu nunca fiz Medicina, Direito etc, mas posso conversar com qualquer profissional desses segmentos de igual por igual", destrincha Renê. Nós, que cursamos apenas uma singela graduação, ou seja, estaríamos 183 voltas atrás, apenas franzimos a testa dada a potencialidade atômica da afirmação. Mas segue o baile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com as proposições da entidade, neste mundo é preciso estudar muito para desenvolver o pensamento e a imaginação e assim alcançar a magistratura da civilização. Já na Cultura Racional, o estudo também é fundamental, mas por se tratar de uma obra ditada por um ser de outro mundo, o Racional Superior, o caminho é mais curto para o desenvolvimento. E Renê vai mais além, alçando a bola na área. "O que é fé? Fé é fedor", largou o palestrante, entrando de sola para valorizar o desenvolvimento do raciocínio em detrimento da salvação espiritual prometida pelas religiões. No mínimo, polêmico. Mas não cabe a nós aqui julgar quem está com a razão. Se Sebastião Maia, aquele que entrou de cabeça na Cultura Racional e largou em seguida alegando ter sido iludido, ou se Seu Renê, aquele que sabe os atalhos para a imunização racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional07.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, já com a peregrinação dos caravaneiros rumando para os descontos da arbitragem, eu e Abud resolvemos puxar o carro. A panfletagem já tinha comido solta, apesar de alguns passantes não sentirem sustança no conteúdo propagandeado. Contudo, antes do "salve" derradeiro, fizemos um humilde pedido àquele que nos recebeu com tanta galhardia. Queríamos de Renê uma breve análise sobre os dois discos de Tim Maia sobre a Cultura Racional. Pela primeira vez, teríamos a opinião de alguém de fora das rodinhas que fizeram da ressurreição dos polêmicos elepês combustível para o total despombalizamento. Prontamente, Seu Renê aceitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o período de visitação cumprido, e tendo inserido o cântico racional soul/funk entre os membros da Cultura em Curitiba, eu e Abud concluímos que já tínhamos material suficiente para oferecer aos nossos leitores, curiosos pelos conflitos que nos acometem quando insurgimos em ambientes estranhos ao nosso dia-a-dia. Mas tinha mais, como vocês poderão ler após um intervalo para...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;A avaliação do Papa&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/capasracionais.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, alguns dias depois adentrou ao lar de Rodrigo Abud uma cartinha batucada pelo Papa por baixo da porta. Com computador, internet e tudo mais, Seu Renê ainda é um entusiasta das máquinas de escrever, e devoto do eficiente sistema de correio brasileiro. Confira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Infelizmente não tem o que falar, pois é como você tem ouvido. É somente propaganda. Ele foi com muita sede ao pote, teve muita euforia, ficou entusiasmado.demais. Isto é natural para quem está no fundo do poço, não acreditando em mais nada e aparece algo que de repente acorda a pessoa para uma nova vida. &lt;br /&gt;O estilo da música é o natural dele, referente ao som está ótimo, pois é a qualidade, ritmo, também é a maneira dele, a ginga negra, por sinal muito gostosa, enfim, não é um cd com músicas normais. &lt;br /&gt;Vou providenciar um cd, que um amigo meu gravou e te mandarei para você ouvir propagandas normais com ritmo e compasso bem normal, de quem faz a propaganda natural, sem euforia, aguarde, assim que eu puder te enviarei, e daí você vai fazer uma comparação de um para o outro".&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora tenha desaprovado a afobação, Seu Renê confessou sua predileção pelo drible moleque das composições do saudoso Maia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional (parte II)&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional08.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que dia 3 de junho é o dia da Cultura Racional em Curitiba? Sim, confere, no calendário e tudo mais. Obviamente, teríamos que fazer com que essa data festiva passasse em branco, com o nosso comparecimento ao encontro. Estava marcada para a praça Rui Barbosa uma grande celebração contando com membros de todo o país, e isso não é chance que se desperdice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, com problemas na firma, desta vez Abud faria apenas uma aparição relâmpago no evento. Não havia de ser nada, afinal, seria apenas uma expedição para confirmar o modus operandi dos caravaneiros. E assim se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baixamos na Rui Barbosa, local de concentração, no horário determinado pela organização: 10hs. Aos poucos a praça foi se esbranquiçando, com a chegada de adeptos da Cultura Racional por todos os lados. Os ônibus trazendo a turma de outras plagas demoravam a estacionar na área, atrasando o início do desfile. Com a concordância de Beto Richa, os caravaneiros partiriam descendo a André de Barros, para fazer o contorno e subir no início da Marechal Deodoro até o final do centro nervoso de Curitiba. Em seguida, seria a vez de divulgar a Cultura Racional pela região metropolitana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional11.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem contar com alguns grupos organizados de outras localidades, a concentração Racional foi tomando porte e dominando a praça. A banda se avolumava de tal ordem que seria capaz de promover um massacre sonoro no relativamente tranqüilo centro de Curitiba sábado pela manhã. E se o objetivo era ser notado, já estava fazendo efeito, atraindo os olhares curiosos dos transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente, fomos ter com Seu Renê, nosso porto seguro na manifestação. Queria que ele me esclarecesse alguns temas que eu ainda não havia compreendido, tais como a relação da Cultura Racional com discos voadores, e a questão das tantas faculdades que o livro equivale. Em meio à chegada de diversos colegas a todo o momento, embora tenha me ofertado a simpatia costumeira, Renê não conseguiu destrinchar bem esses pontos polêmicos. Não faz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional09.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a nossa surpresa, fizemos uma nova brodagem na CR. Oriundo de Maringá, e com o visual deveras arrojado, nosso camarada, que lamentavelmente esquecemos o nome, marcou sua presença com uma revelação incrível. Teria em sua posse uma fita de vídeo em que registrou uma aparição do Racional Superior, em forma de espectro de luz galgando uma montanha. É, amigo, quem é que sobe! O mesmo garantiu ainda que era comumente agraciado com tais visões, tudo em decorrência do adiantado estágio de estudo dos livros em que se encontrava. Obviamente, não duvidamos de nada, e passamos a empreender animado debate com a notável presença de fala mansa e amistosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional10.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrou tempo ainda para que Abud descobrisse através de Seu Renê uma segunda presença abudiana na confraternização, o que lhe valeu um rápido escrutínio de sua árvore genealógica. Porém, temendo seu futuro no emprego, meu inseparável colega carpiu o trecho, deixando sob minha responsabilidade a avaliação da debandada dos caravaneiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional17.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em questão de minutos, sob a batuta do maestro, a banda puxou o desfile pelo centro, ocupando uma preciosa faixa de terreno da rua André de Barros. Com admirável organização, respeitando os carros e os pedestres, os caravaneiros passaram a distribuir seus indefectíveis panfletos, lembrando ao mundo que a cultura do cosmo, do mundo racional, já se faz presente na Terra. Quer queira, quer não queira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/racional14.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;A Cultura Racional por ela mesma&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que você tira suas próprias conclusões, apresentamos alguns prospectos da CR. Na minha opinião, os desenhos mais psicodélicos que eu já vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/prospecto03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrito do panfleto, um pouco de informação sobre o Universo em Desencanto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que é a Cultura Racional?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É o conhecimento da origem do ser humano. De onde ele veio, como veio, por que veio e o retorno à sua origem, mostrando como o homem voltará ao seu estado natural de ser Racional puro, limpo e perfeito. Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um Ser Extraterreno, publicadas nos Livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Além do retorno à sua origem, quais seriam os objetivos da Cultura Racional?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ligar o ser humano ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, pelo desenvolvimento Racional, que é obtido no ler e reler os livros ?UNIVERSO EM DESENCANTO?. A leitura do Livro traz o perfeito equilíbrio na vida da matéria: físico, moral e financeiro, que culmina com a Vidência Racional, quando então, o leitor terá contacto com os habitantes do MUNDO RACIONAL, mundo de que somos originários e para qual já estamos de volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como qualquer pessoa poderá comprovar a realidade dos objetivos da Cultura Racional?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito simples: por se tratar de um processo de desenvolvimento, não será apenas na leitura do primeiro volume do Livro que a pessoa poderá ter estas comprovações, embora elas tenham ocorrido com diversas pessoas. São elas, o aparecimento de luzes de diversos matizes, tamanho e forma;  contacto direto com seres extraterrenos, dialogando e sendo orientado em qualquer lugar. E o mais importante que é adquirir paz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/prospectos01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como começamos a aprender o que é a felicidade verdadeira. Chegou ao mundo o que há muito estava anunciado pelos profetas, sábios, astrólogos e pela ciência. &lt;br /&gt;Um conhecimento transcendental que ultrapassa todas as expectativas do saber humano e que desvenda os mistérios da natureza e do animal Racional de forma lógica, simples e clara. Não é um conhecimento extraído do saber deste mundo e sim, a verdade das verdades, dadas pelo RACIONAL SUPERIOR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A CULTURA RACIONAL conduzirá a humanidade à RACIONALIZAÇÃO UNIVERSAL. E assim, com a leitura assídua deste conhecimento, todos sem o menor esforço, muito naturalmente, sem a necessidade de freqüentar lugar nenhum, serão orientados em tudo, recebendo as orientações precisas para o seu perfeito equilíbrio moral, físico e financeiro, dentro de seus próprios lares ou onde estiverem. Portanto, não há necessidade de templo, sinagoga ou casa de pregações nem obrigações, pois é apenas a leitura desta grandiosa obra UNIVERSO EM DESENCANTO, que dá aquela proteção que ninguém até hoje conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Na Cultura Racional não há milagres.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as doenças existentes no mundo são provocadas pela alteração do campo biomagnético. O mundo é um conjunto de eletromagnetismo e conseqüentemente nós também somos formados por eletromagnetismo. A alteração deste campo de energia é que provoca em nós todas as doenças, como o câncer, o enfarte, a osteomielite, e todo e qualquer tipo de moléstia. O excesso de magnetismo mata, o excesso de eletricidade mata do mesmo jeito. E nós estamos sujeitos aos efeitos destes dois fluidos monstros: o elétrico e o magnético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/prospectos02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na CULTURA RACIONAL não há milagres, tudo acontece naturalmente, as soluções são conseqüências do perfeito equilíbrio que a pessoa adquire através da leitura das mensagens do RACIONAL SUPERIOR. Á proporção que a pessoa vai lendo, ela passa a ficar ligada ao seu Mundo de Origem, o MUNDO RACIONAL, de onde receberá todas as orientações precisas ao seu bom viver. Com o desenvolvimento adquirido através da leitura, a pessoa começa a se desligar deste conjunto eletromagnético, que é o mundo em que vivemos, para ficar ligado ao seu verdadeiro natural, o mundo da sua verdadeira origem, o MUNDO RACIONAL. Substituindo o seu eletromagnetismo pela ENERGIA RACIONAL, atingindo a condição de IMUNIZADO RACIONALMENTE e ao morrer não nascerá mais aqui neste mundo e sim, no seu verdadeiro mundo, o MUNDO RACIONAL.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111925190332079408?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111925190332079408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111925190332079408&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111925190332079408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111925190332079408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/06/o-dia-em-que-fizemos-contato-com.html' title='O dia em que fizemos contato com a Cultura Racional'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111865190786028627</id><published>2005-06-13T05:29:00.003-03:00</published><updated>2005-06-13T18:45:01.060-03:00</updated><title type='text'>Uma parada gay</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha aqui, meu querido. Nós já inspecionamos um lendário cinema pornô, visitamos um clube de troca de casais e bailamos num concurso de modelos no carnaval. Enfim, construímos um background responsa no movimento. No entanto, mesmo do alto desse pujante cartel de putaria, titubeamos por alguns instantes ante a um novo desafio que se descortinava. Afinal, desta vez, para o sucesso da empreitada, a primeira medida seria justamente nos livrarmos do nosso background ou, pelo menos, garantir o máximo de segurança possível a nossa retaguarda. Ao contrário das situações anteriores, não teríamos um porto seguro, uma trincheira sequer, partiríamos somente com a cara e a coragem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 12 de junho constava na agenda: fazer a cobertura da sétima Parada da Diversidade em Curitiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, solicitamos uma alteração na pauta, apenas para que o posterior registro nos autos não deixasse a menor dúvida sobre o intento de tão polêmica jornada. Pedimos que o termo "cobertura" fosse suprimido, dando lugar a um enunciado mais claro, como segue: relatar despretensiosa e superficialmente o evento, sem qualquer aprofundamento nos fatos, muito menos em outrem. Feito o reparo, partimos para o estudo da reportagem, relacionando os pontos a serem levantados, a linguagem apropriada, rotas de fuga etc. Naturalmente, concluímos que não seria possível levantar nada, muito pelo contrário, e que em termos de linguagem deveríamos nos ater somente ao princípio básico da educação: não, obrigado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranqüilos, calmos e serenos da nossa condição de heterossexuais apostólicos romanos, eu, André Pugliesi, e meu colega, Rodrigo Abud, fomos em busca de uma honrosa e saudável averiguação do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Não te michas&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro teorema: mesmo inserido num ambiente desconhecido e altamente hostil, porte-se como se estivesse em casa. Respeitando suas convicções, claro, haja com a maior naturalidade possível. Foi o que fizemos. Agimos como se tivéssemos sido os primeiros a se prostrarem de cócoras no fim do arco-íris, a fim de agasalhar o tal pote de ouro. Mas não é só isso. Reza a sabedoria popular que o homossexual, no caso a modalidade de viado, apresenta como característica primeira o "olhar desconfiado". Portanto, mais do que a desenvoltura no gestual, caprichamos numa filmagem matreira, aprovando geral, mesmo quando confrontados a imagens fortes, de deixar o Gala Gay nas chinelas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, ainda na concentração na praça Santos Andrade, já fomos interagindo com aquela rapaziadada deveras escandalosa. Obviamente, sem nos deixar empolgar pelos ânimos acirrados. Passado o trio elétrico, que puxava o desfile, e diversos carros de som, sabiamente seguimos atrás do comboio. É notório que em eventos dessa natureza a vaga de maquinista é sempre a mais concorrida, o que nos deixou muito confortáveis integrando o último vagão. Sem nos preocuparmos com o retrovisor, fomos seguindo mantendo os pneus dos carros à frente sempre em nosso campo de visão como medida de segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Amigo do dono&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto fundamental é estar próximo de quem importa. Agindo dessa maneira, você nunca vai encucar com o sumiço repentino dos garçons, com a péssima visão do local etc. É básico. Para tanto, como numa barreira de futebol, protegemos as partes e de frente para as bolas fomos nos movimentando sorrateiramente, visando nos aproximar do território VIP. Não demorou muito, estávamos, imaculados, ao lado das celebridades do mundo gay. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada aproximação era um flash. Num pulo, enquadramos algumas drags, em suas personas multicoloridas, abençoamos o reinado de duas misses e, por fim, posamos respeitosamente ao lado do casal que tornou tudo isso possível: Toni Reis e David "Bigode" Harrad, elegantemente trajados. O primeiro, presidente do grupo Dignidade e organizador da Parada da Diversidade. De bem com o alto escalão, nos sentimos funcionários de zoológico, capazes de mandar prender e soltar a bicharada a qualquer momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg08.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos em frente que não é prudente ficar parado. Entre drags, travestis, bichas, homossexuais a paisana, uma pequena quantidade de lésbicas em flagrante delito, e um bom número de simpatizantes, a Parada da Diversidade tomou a avenida Marechal Deodoro. Nos carros de som, o pancadão nervoso ecoava, sempre costurado por uma ou outra execução do hino gay "I will survive", da muito apropriada Gloria Gaynor. Mas o que saltava mesmo aos ouvidos eram os discursos, sempre inflamados, pregando os direitos iguais, que invariável e naturalmente descambavam para uma gritaria desvairada após ser dado o recado. Dignas de nota também as sempre oportunas exaltações do uso de preservativos, tanto indo como vindo, bem como a sua distribuição gratuita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg06.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertamos o passo para cruzar a transviadônica e contemplar o final do desfile na Praça Zacarias, antes de partir para a Boca Maldita. Até que nos vimos imersos numa verdadeira faixa de Gaza. Cercados por todos os lados de travestis e congêneres, por um momento vimos a utilidade de virar purpurina, mas logo conseguimos passar dessa para uma melhor. Ilesos, faço questão de frisar. Aportamos então no fétido chafariz da Praça Zacarias. Sob a mira das lentes dos fotógrafos, que aguardavam o desfecho, decidimos assistir de fianco a apoteose. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todos os lados, curiosos se encantavam com a animação, aplaudindo e saudando a baitolagem na sua plenitude. O cidadão comum trafegava sem problemas, brincando com o perigo de, por um infortúnio do destino, acabar estampando a capa da Tribuna no dia seguinte e ser obrigado a explicar o que não se explica, apenas se tira sarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg09.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Fervo na Boca Maldita&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reduto mais tradicional de Curitiba foi escolhido como cenário para a celebração final da Parada da Diversidade. Um grande palco foi montado na junção com a Praça Osório para receber o grande show da noite: a banda Denorex 80. Madrinha dos gays curitibanos, a banda seria encarregada de promover o gran finale. Antes, porém, as celebridades do babado empunharam orgulhosamente o microfone, exigindo um tratamento respeitoso com os homossexuais pela sociedade e, principalmente, perante as leis brasileiras. Uma a uma, um a um, tanto faz, drags, gays, lésbicas e simpatizantes coloriram o palco, discursando entre urras de "ei, ei, ei, Curitiba é gay". Durante todo o tempo alardeou-se que a manifestação havia reunido 80 mil pessoas, o que qualquer olhar leigo poderia contradizer. Não creio que mais de 10 mil pessoas estiveram presentes, o que não diminuiu a importância do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg11.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos destaques na faceta palanque do palco foi o ator Sérgio Mamberti, enviado (?) do Ministério da Cultura, representando o ministro Gilberto Gil. A lamentar a ausência da figura mais esperada da noite, Elke Maravilha, madrinha dos homossexuais e lendária jurada da bancada que marcou época no Show de Calouros. Um problema particular impediu que a figura estrambótica de Elke estivesse presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pg12.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram então os tradicionais shows de dublagens, com as drags saracoteando os panos flanando pelo palco, muito pouco para entreter quem não é entendido. E antes que o Denorex aprumasse o seu por ali, fervendo com nostalgia a audiência, eu e Abud nos evadimos do local. Convictos não só do cumprimento de tão periculosa missão, mas também que cada um guarda as costas como bem entender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111865190786028627?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111865190786028627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111865190786028627&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111865190786028627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111865190786028627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2005/06/uma-parada-gay.html' title='Uma parada gay'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111863321853662005</id><published>2004-09-01T00:22:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T00:28:56.463-03:00</updated><title type='text'>O homem que estava lá</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;b&gt;A incrível história do fã que presenciou o último show de seu ídolo&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inauguro com esse texto uma parceria que demorou pra acontecer. Dudu Munhoz, catedrático em punk rock, colunista do Bule (entre outros sites), e bróder de alta categoria, faz sua primeira aparição neste espaço numa colaboração fantástica. Descobriu um amigo que esteve no último show de Raul Seixas e coletou todas as informações a respeito desse episódio memorável. Eu fiquei com a tarefa de organizá-las num texto. O resultado vocês conferem abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/slash1.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moacir Leal, apelidado Slash, graças ao período em que ostentou uma vasta cabeleira idêntica à do guitarrista do Guns and Roses, debutou no roque há dez mil anos atrás, num show da Blitz em 1984. Com 13 anos, foi uma ótima alternativa para interagir e se enturmar com a molecada marota de sua área, os famosos prédios redondos do Capanema. O primeiro show de uma lista extensa de passagens roqueiras na vida de Slash, um homem dedicado a esse estilo musical, o embalo dos jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1986, viajou a São Paulo num feriado de final de ano, e na terra da garoa foi apresentado a sua maior paixão musical, fruto de devoção dos tempos mais remotos até os dias de hoje. Raul Seixas. Mesmo com 15 anos, o guri já possuía uma grande lista de ídolos roqueiros, tais como os estrangeiros Black Sabbath, AC/DC e Nazareth. Porém, na curtição das fitinhas de Raulzito que trouxe de São Paulo, a música do brasileiro foi se sobressaindo, gerando um fanatismo cada vez maior. De volta à Curitiba, tratou de adquirir toda a discografia disponível do Maluco Beleza. Com o tempo, foi garimpando discos raros, gravações de programas de rádio entre outros souvenirs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há adoração por um ídolo que sobreviva intensa sem que seja consagrada com o comparecimento a uma apresentação ao vivo. E Slash saciou esse desejo. Esteve presente na última apresentação de Raul Seixas em Curitiba, no dia 12 de agosto de 1989. Slash é o homem que estava lá. No entanto, antes de desvendarmos todos os detalhes dessa apresentação histórica de Raulzito, vamos passear um pouco pela vida de Slash, um passado recheado de histórias incríveis em momentos de tosquêiras do arco da velha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Curriculum Toscae&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/slash2.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, são poucas as pessoas que podem se vangloriar de possuir um currículo de shows tão nababesco. Quer saber, creio que nem os garçons da Lidô ostentam tamanho background. São muitas as apresentações memoráveis em que Slash respondeu presunto. Sendo assim, vou elencar aqui apenas os highlights. As turmas do gargarejo clássicas. Amigo, segura o fenômeno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Show do Bozo e Gaúcho da Fronteira no Clube Cultural de Curitiba. Rewind. Bozo E Gaúcho da Fronteira, porra! Eu disse E Gaúcho da Fronteira. Um mega evento reunindo esses dois baluartes da cultura canarinho juntos, numa apresentação pra lá de surreal. Vá dizer. Sócio do clube, Slash não teve dúvidas em marcar presença num show de tamanha magnitude totalmente de grátis. Bons tempos em que o cultural ia além do nome da sociedade. Quanto aos detalhes, pouca coisa, Slash não tem certeza se o palhaço em questão era o Bozo apresentador de bingo ou o motor aspirado. Fica a questã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas segue o baile. Imediatamente após um dos shows mais toscos que a terra das araucárias já recebeu, vem outra pedrada. Show da Angélica no Couto Pereira. Na época servindo o Paraná trabalhando no Banestado, Slash deu um disfa e marcou presença nessa celebração infanto-erótica. Duas tampinhas (ou seriam champinhas?) de guaraná eram a senha de entrada. Chegando ao local, a decepção. O palco era no meio do campo, e o público ficava nas arquibancadas. Trocando em miúdos, mais da metade do público presente não pôde atingir o principal objetivo, avistar e analisar a barata na perna da ninfeta platinada esvoaçante, região na qual atualmente o Luciano Huck passa aquela naréga irada dele (se passa). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que já deu pra aprovar o guri. Shows de Bozo e Gaúcho da Fronteira juntos, e da Angélica, é top de linha em matéria de apresentações lendárias. Mas Slash tem currículo de CEO (quer dizer chief executive officer, o popular pica grossa, explicando pra quem ainda fala olerite) de multinacional quando o tema é lasquêira. Ainda em matéria de shows, Ira! na Moustache Sound &amp; Dance e o começo de um show do Biquíni Cavadão que não continuou pois o vocalista estava sem condimento. No ramo empresarial, foi proprietário e operador de uma fotocopiadora que faliu. Trocou 11 vezes de endereço desde 89, morando de todas as formas possíveis e imagináveis. Com destaque para a vez em que hospedou um argentino que fazia malabares, dando guarida para que a praga que assola os sinais de trânsito nos dias de hoje pudesse ser gerada no seio de seu próprio lar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;O dia em que Terra parou&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/slash3.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluído um mini Essa é Sua Vida com Slash, vamos ao que interessa. Tudo começou numa enfadonha manhã de sábado em 1989. Se o rádio não toca, pelo menos anuncia, e a notícia apocalíptica veio através das ondas sonoras. Raul Seixas faria um show em Curitiba, dia 12 de agosto, no Ginásio do Atlético. Sem que houvesse tempo para se recuperar do transe e sair para adquirir o passaporte da alegria, Slash foi surpreendido por sua mãe, Dona Alzira, chegando em casa com o ticket em mãos. Foi algo como ganhar a loteria da Babilônia. A materialização de um sonho estava cada vez mais próxima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raulzito estava em turnê divulgando seu mais novo disco, Panela do Diabo, uma empreitada com Marcelo Nova. O novo álbum ainda não havia chegado em Curitiba, porém, a encomenda da bolacha já havia sido solicitada por Slash na loja Rei do Disco. Marcelo Nova, roqueiro adorado por todas as Silvias do Brasil, assumira na época a responsa de cuidar de Raul Seixas, fazendo às vezes de pai, empresário e colega de banda, além de companheiro de bagulho que ninguém é de ferro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado o grande dia, Slash escolheu o modelo clássico para comparecer a festa de gala, calça jeans, camiseta, boné, e jaqueta jeans U.S. Top, o tradicional traje esporte fino dos roqueiros. Chamou Nilson, parceiro de trampo no Banestado, pegaram o trem das sete e partiram para o local do show. O Ginásio do Atlético, anexo ao estádio Joaquim Américo, posto na chon anos depois, sempre foi palco de eventos do mais alto gabarito. Tais como bailes de carnaval de gosto duvidoso, pista de patinação, entre outros. Desta feita, seria palco de um novo aeon, uma nova era na vida de Slash. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pintarem no local, os dois se depararam com uma enorme fila para comprar ingresso. Fato que motivou uma série de idéias caóticas na mente de Nilson. Inconformado com a fila gigantesca, Nilson sugeriu que os dois entrassem na moral, tocando entre as canetas da burocracia. Idéia que foi prontamente rechaçada por Slash, temendo que a peripécia ilícita lhe custasse a presença no show da sua vida. Como vovó já dizia, melhor prevenir do que se foder. E assim foi feito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não bastassem as idéias caóticas de Nilson, Slash sentia ainda o peso da preocupação com o estado de saúde de Raulzito. Dois dias antes, no show em Ponta Grossa, Raul despencou em pleno palco na primeira música, totalmente debilitado. Ciente que o roqueiro era movido a álcool, e muito provavelmente estaria pra lá de Marrakesh no show, o fã torcia para que pelo menos umas cinco músicas fossem executadas. Comparando com Ponta Grossa, já estariam no lucro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na fila a rapaziada enxaguava a caveira com o famoso tubão, bebida obrigatória em shows de róque, o embalo dos jovens. Nossos heróis não ficaram atrás, e faziam gut-gut num mix de vodka e Coca-Cola. Escaneando a turma, calculou e dividiu a presença em 65% homens e 35% mulheres, a maioria acompanhadas. O esperado esquema de segurança, muito comum em shows de roque na época, devido a grande concentração de drogados subversivos cultuadores do satanás, não se confirmara. Apenas aquela revista protocolar, sem necessidade de se tirar os sapatos ou receber um apalpo na genitália. Nada de polícia no local. O que gerou um inconformismo coletivo no público, devido ao vacilo de não ter levado uma porção servida de estupefacientes com medo do Grande Irmão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencida a batalha da fila, os dois adentraram ao ginásio, que pouco mais de uma hora antes do início do show estava totalmente lotado. Resolveram ficar do lado direito do bar, fazendo o que o diabo gosta. Embora a nata dos sevandijas estivesse concentrada no local, nenhum desentendimento foi registrado, todo mundo naquela fuleiragem sadia. Pouco tempo depois, Marcelo Nova subiu ao palco, abrindo o show. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia hora de róque, com músicas de seu trabalho solo e clássicos de sua antiga banda, o Camisa de Vênus, e Marcelo largou a bomba, anunciando que iria chamar ao palco o rei do róque no Brasil. Foi a senha para o ginásio explodir em êxtase absoluto. Histeria coletiva. Transe ecumênico. A gritaria das moças era ensurdecedora, reforçada pelos urros dos rapazes. Uma nuvem composta pelo bafo de tubão batia no teto do ginásio, se transformando em estalactites de chachaça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Slash e Nilson resolveram mudar o posicionamento, ficaram na frente do palco, poucos metros antes dos seguranças de camisetas vermelhas. A banda que acompanhou Marcelo Nova, composta de um tecladista, um baterista, um baixista e um guitarrista permaneceu no palco para o show de Raul. A lenda surgiu atrás das cortinas, caminhou vagarosamente, Ray-Ban e roupa branca, parecendo um proxeneta. Monstruosamente ovacionado pelo público, abriu o set com Rock and Roll, Pastor João e a Igreja Invisível e Be Bop A Lula, músicas do disco recém-lançado, Panela do Diabo. Empunhando uma guitarra bege, Raulzito extraia singelos Lá e Ré maiores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram os hits, um desfile interminável de clássicos, todos cantados a plenos pulmões pelo público. Cowboy fora da Lei e Rock das Aranhas foi dar milho pra bóde, levando todos às raias da loucura. O público dançava ao som do róque fantástico de Raul, sentindo caimbra no pé. Mas nenhum momento superou a execução de Viva a Sociedade Alternativa, certamente o ápice da apresentação. Cumprindo um ritual tradicional, Raulzito saiu do palco, voltou agachado, insinuante com um pergaminho em mãos. Mandou o discurso clássico, exaltando as maravilhas de uma sociedade perfeita, livre, em que todo homem teria o direito a viajar para qualquer lugar, pois o planeta é o nosso passaporte, que o que faltava era cultura para cuspir na estrutura. Mensagens que deixaram o público como se estivessem num eterno carnaval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dá-lhe que dá. No meio de Metamorfose Ambulante, emendam Metrô Linha 743, Marcelo Nova saca repentinamente duas bazucas, acende, puxa uma bela tragada que ilumina a frente do palco mais do que os spots de luz, e passa uma para Raulzito. Os roqueiros baianos saboreiam a perninha de grilo durante toda a canção. A banda volta a tocar Metamorfose e os baseados são oferecidos ao público. Respeitosamente, todo mundo deu a sua bolinha, numa espécie de ritual de eucaristia a la Cheech e Chong. Slash optou por não reviver essa passagem da bíblia jamaicana, a divisão do entorpecente, se limitando ao espanto de estar presente em oportunidade tão insana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os cigarrinhos do capeta ainda circulavam e a muáfa se adonava do local, Raul e Marcelo viraram os microfones para o público, deixando os últimos versos de Metamorfose a cargo da geral. E deixaram o palco. Ao mesmo tempo em que algumas moças furavam o cordão de seguranças no afã de conferir de perto se a cobra criada do Raul ainda estava na ativa ou se teriam que pôr as aranhas pra brigar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A areia da ampulheta se foi. O show já era parte do passado, um momento mágico na vida de Slash que se tornaria para sempre o dia da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Quando acabar o maluco sou eu&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/slash4.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais de uma semana depois, no dia 21 de agosto de 1989, numa manhã de segunda-feira ensolarada em Curitiba, Slash recebeu um telefonema de sua prima que morava em São Paulo. Raulzito não suportara uma pancreatite aguda e havia falecido. Uma notícia infelizmente esperada desde o início das complicações sérias de Raul Seixas com o alcoolismo e a evidente falta de condições do ídolo para deixar e suportar o vício. Slash fez o possível para comparecer no enterro, que seria realizado em Salvador, mas não teve jeito. Acabou permanecendo em Curitiba, mas fez uma promessa, uma última homenagem. Durante um mês, acordaria um pouco mais cedo e antes de seguir para o Banestado ouviria um disco qualquer de Raul da primeira a última faixa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show em Curitiba, no Ginásio do Atlético, foi provavelmente a última vez que Raul Seixas subiu num palco. Comenta-se que nesses 9 dias entre o show no Ginásio do Atlético e a morte de Raul, uma apresentação em São Paulo teria acontecido. Porém, não há confirmação. De certo, que a lenda do róque canarinho deixou sua marca inconfundível na capital paranaense, numa apresentação memorável, mexendo com as coisas do coração, marcando definitivamente a data 12 de agosto de 1989 como o melhor dia da vida de Slash.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111863321853662005?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111863321853662005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111863321853662005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863321853662005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863321853662005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/09/o-homem-que-estava-l.html' title='O homem que estava lá'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111863002031959879</id><published>2004-07-30T23:28:00.000-03:00</published><updated>2005-06-12T23:33:40.330-03:00</updated><title type='text'>Swingando na noite</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/swing01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André: E aí Abud? Descolei aquele esquema, tá pronto? &lt;br /&gt;Abud: Eu nasci pronto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse brevíssimo diálogo, eu e meu dileto amigo Abud refizemos nossa parceria e nos jogamos novamente na night curitibana. Para quem não sabe, parceria que já rendeu uma série de momentos memoráveis e que há tempos não pisava o gramado. E que nesta oportunidade seria colocada à prova em mais uma missão extremamente ousada. Após conferirmos a desgraceira de um cinema pornô e o skindô de um concurso carnavalesco de garotas de programa, chegava a hora de quebrar um novo paradigma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentos às preferências do consumidor, de botuca nas nuances do mercado, optamos por mais uma incursão ao inebriante mundo da sacanagem. Afinal, o povão gosta mesmo é de putaria. E transferindo os conceitos ultramodernos da televisão brasileira para o universo blogal, compactuamos em mandar às favas os escrúpulos e guguzar. Meio olho no conteúdo, um e meio no Ibope. Dança mallandrinha!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tanto, optamos por uma matéria de apelo sexual incontestável. Ou seria de incontestável apelação sexual? Tanto faz. Eu e Abud traçamos nosso destino na quarta-feira, dia 24 de junho, comparecer a uma noite na mais famosa casa de swing de Curitiba. E para evitar qualquer problema jurídico, não revelarei o nome do estabelecimento, digo apenas que é num bairro totalmente desconhecido de Curitiba, famosíssimo pelos restaurantes italianos. Chamemos então o local de o Templo Máximo da Comunidade Swingueira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os desconhecedores de tal prática esportiva, o swing se caracteriza pela troca de parceiros entre casais nas relações sexuais. Uma noite em que os casais permitem-se realizar as mais diversas fantasias com outros parceiros, sem que isso influencie na relação afetiva, uma experiência absolutamente carnal. Inconcebível para a maioria, notadamente se trata de uma modalidade cada vez mais praticada. Segundo minhas aferições teóricas sobre o tema, o prazer está em compartilhar as experiências extra-oficiais com sua parceira, apenas observando ou mesmo atuando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparação - Antes de batermos de frente com o nosso destino, fui obrigado a passar as caras ante a resistência natural de minha cônjuge sobre a idéia. Dada a minha condição de católico carismático fervoroso, fui ter com minha companheira a fim de conseguir o alvará de liberação para mais uma empreitada pouco convencional. Como ela bem sabe, seria incapaz de decepcionar o Padre Marcelo Rossi, quiçá à fortaleza da família canarinho, sendo assim, ela não demorou em relevar minhas fanfarronices e permitir meu intento. Garanti que incertezas e preocupações relativas ao meu comportamento não deveriam entrar na conta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para o Templo Máximo da Comunidade Swingueira e confirmei minha presença e do Abud na noite de quarta-feira, a única aberta aos homens e mulheres solteiros. As vagas são limitadas e a procura é grande. São cobrados 80 reais de entrada para cada solteiro, o casal também é 80 mangos, incluindo o couvert e um jantar. Shows de estripers, masculino e feminino, também são servidos. Lá dentro, paga-se apenas o que consumir. A casa abre às 21hs e fecha por volta das 4hs. Obviamente, não é permitida a entrada de nenhum tipo de instrumento de gravação, sendo vetado o uso de máquina fotográfica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitadas todas as esferas burocráticas, diplomáticas e conjugais, finalmente estávamos aptos a realizar a aventura respeitando todas as normas legais. Quando do acerto da reserva, me foi alertado pela moça que deveríamos trajar roupa esporte fino. Um empecilho estava criado. Todos sabem que sou do povão, das massas, galera, geral, da turma do gargarejo. E como tali, possuo apenas um par de sapatos, utilizado em todos as formaturas, casamentos, batizados, exames de análises clínicas e entrevistas de emprego que sou convocado. Por tratar-se de sapatos de nobre linhagem italiana, cai bem utiliza-los apenas com terno. Resultado, ou eu iria de terno, ou teria que emprestar um calçado mais adequado para um evento sexual dessa magnitude. Questionado pela minha pessoa quanto ao empréstimo, Abud, Top Five em matéria de elegância na noite, não titubeou em apontar o terno como a vestimenta perfeita para ocasião. Sapato, calça, paletó e gravata nos tornariam cidadãos respeitáveis, um subterfúgio perfeito para desviar a atenção dos presentes em nossas faces jovens e nos emprestar um ar responsável e ereto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei minha residência rumo ao encontro com Abud em local incerto e não sabido. Avistando o jovem, reduzi para terceira marcha e aprumei próximo ao meio fio para que o mesmo pudesse saltar espetacularmente e alojar-se em minha possante rodonave com ela em movimento. Juntos novamente, enfim nos dirigimos ao Templo Máximo da Comunidade Swingueira. Devido ao adiantado da hora, e como não seria possível registrar as peraltices no local, celebramos a nossa empreitada com o registro do joiado e psicodélico portfolio que vocês estão conferindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/swing02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penetrando no mundo do swing - Seguindo as orientações, paramos o carro na entrada, sinal de luz obrigatório, e fomos recepcionados pelo manobrista e pela promoter da casa. Recebemos as fichas de consumação, revelamos nossa condição de estreantes e fomos gentilmente apresentados pela promoter aos diversos recintos do clube. Para os solteiros são quatro áreas de livre movimentação, e uma outra exclusiva aos casais. Segue o croqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piso superior &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suítes exclusivas para os casais. &lt;br /&gt;Piso intermediário &lt;br /&gt;Uma espécie de boate onde é servido o jantar, rolam as danças, brincadeiras e shows eróticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piso inferior &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dark Room - uma sala escura com uma grande cama. &lt;br /&gt;Labirinto Erótico - um caminho tortuoso com diversas cabines idênticas às de lojas de roupas. &lt;br /&gt;Salão - uma mega cama e uma cadeira erótica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte intermediária, uma decoração de gosto pra lá de duvidoso, com fitas e arcos fosforescentes por todo o teto. Parecia uma instalação do sistema solar numa feira de ciências do primeiro grau, ou um Guto Lacaz anos 80 de quinta categoria. Os outros ambientes não dispunham de decoração nenhuma. Aliás, seria totalmente desnecessário. Confiamos na descrição dos ambientes feita pela promoter, afinal, não dá pra enxergar porra nenhuma. E é justamente aí que mora o perigo. O Dark Room é um breu só. O Salão e o Labirinto recebem uma fraca iluminação vermelha. Segundo a promoter, basta acostumar a vista para enxergar nesses ambientes. Mais tarde, nós entenderíamos que o enxergar a que ela se referia era, no caso, alguns vultos perambulando, fazendo polichinelos, abdominais e flexões de braço numa curiosa e ofegante dinâmica de educação física. Um par de óculos com visão noturna faria furor e elevaria o grau de aproveitamento da incursão no Templo Máximo da Comunidade Swingueira a níveis estratosféricos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demarcando o território - Convidados pela simpática promoter, eu e Abud sentamos numa mesa estratégica, localizada num cantinho discreto e aconchegante. Na primeira investida da garçonete, cardápio em mãos, declinamos docemente, postergando nosso primeiro drink. Estratégia que seria usada ao longo de toda a noite. Fortalecendo a velha máxima que diz que pobre é uma merda. Praticamente todas as mesas estavam reservadas, com direito a nome do casal na plaquinha sob a mesa, fato que comprovou a assiduidade dos casais nos eventos. As mesas iam sendo ocupadas aos poucos, com cumprimentos efusivos entre os mais chegados e o proprietário/gerente do clube. Pouco tempo depois de nos estabelecermos, recebemos em nossa mesa a companhia de Sergião, O Professor, um carioca perdido na noite curitibana. Sérgio nos passou os macetes principais com seu carioquês invejável, salientou os limites e perdeu-se na penumbra. Mais tarde vocês entenderão o porquê do apelido do bróder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível delimitar o perfil dos freqüentadores. Gilberto Freyre ia curtir. Um mix variadíssimo de pessoas de todas as classes, credos, cores e libertinagem à flor da pele. Comprovando toda essa miscigenação maravilhosa desse povo alegre do Brasil. Tem aquela sua vizinha bem apessoada, tem a tia da cantina, o professor de História, a patricinha, o empresário, tem secretária (e como tem), toda a sorte de barangas, gostosas, galãs e tiozões barrigudos para todos os gostos e idades. Deixe o preconceito de lado e creia, o swing não é uma prática para pervertidos em busca de satisfazer uma sanha sexual, e sim uma opção de pessoas absolutamente convencionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tocante a formação dos casais, baseados no método catadão de avaliação, e contando com nossa capacitada visão periférica, concluímos que pelo menos metade parece real, e alguns forjados, entre amantes e possíveis garotas de programa. Assim como na parcela de mulheres solteiras no local. Um tanto bastante comuns, outro bem duvidoso. Curiosamente, as mulheres andam em bando pela casa. O que não é permitido aos homens, com o objetivo de não intimidar os casais diante de grupos de rapazes com ares de marotagem. A homarada pode ficar, no máximo, em duplas. Por fim, os únicos idiotas de gravata no local eram eu e o Abud. Óbito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O responsável pela trilha sonora seguia os mandamentos da cartilha do DJ de zona, brindando os presentes com sucessos dos anos 80, clássicos de Bonnie Tyler, Olivia Newton-John, Donna Summer e dá-lhe Roxette. Até uma Norah Jones escapou nos alto-falantes. Servido o jantar, não poderíamos nos deparar com um cardápio mais inusitado. Comida mineira. A leve gastronomia de Minas Gerais. Mais inapropriado que isso, só uma feijoada completa. Quando me deparei com torresmos, tutu de feijão, lingüiças e outros ingredientes de elevada periculosidade flatulática, imaginei a possibilidade de uma posterior hecatombe fruto da fissão dos gases graças ao solavanco dos corpos. Iniciou-se então a primeira grande experiência meta-tosco-filoso-física da noite. Um prosaico jantar com pessoas que mais tarde estariam chegando, despudoradamente, as vias de facto logo à minha frente. Sensacionalmente surreal. E conforme a cartilha oficial do ráuli, participamos do jantar naturalmente, fazendo um social e aproveitando para dar uma escaneada na turma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/swing03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquentando os tamborins - Recolhidos os pratos e talheres, e respeitado um período mínimo para a complexa digestão do jantar, a pista de dança bombou. Sem demora os casais partiram para um animado bailão. Logo após, foi dada a largada para as brincadeiras, uma seqüência de dinâmicas possivelmente idealizadas por um verdadeiro Içami Tiba erótico. Com os casais na pista, começou a brincadeira do chapéu, um misto de dança da vassoura e da cadeira. A primeira oportunidade para os casais realizarem um approach. Mulheres passavam o chapéu branco, homens o chapéu preto, quem estivesse com eles na mão quando a música parasse era desclassificado. Como uma espécie de rodizião humano, em alguns momentos pinta o mignon do próximo no teu prato, em outros o matambre alheio. Agito brilhantemente comandado pelo gerente da casa, empunhando o microfone e revelando toda a sua faceta de animador de auditório e psicólogo amador. Ou armador, como queiram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, foram apresentados os shows eróticos. Primeiramente, o consagrado estripe feminino. Uma formosa loira paramentada para festa junina jogou lenha na fogueira da rapaziada. Em meio a saltos daiânicos e as tradicionais coreografias, pasmem, incendiou uma senhora que não se fez de rogada e acompanhou a loira no meio do palco numa performance de lesbianismo. Animação para os homens, animação para as mulheres. Dois muquinhos, muito originalmente travestidos de zorro e motoca, adentraram ao recinto saltando freneticamente e arrancando a roupa para delírio e afobação da periquitaiada. Justo, sem dúvida, ainda mais se considerarmos que ao contrário da loira, os rapazes não ficaram totalmente nus, poupando o público masculino de suas vergonhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizadas as apresentações, adentraram ao recinto rapazes e moças da casa para elevar o moral do pessoal. De nosso posto, eu e Abud, respeitando os limites da nossa condição de iniciantes, pudemos finalmente entender e observar, in loco, o famoso e, muito raro, ninguém é de ninguém. Casais, solteiros, solteiras e profissionais de ambos os sexos recheavam de lascívia e desprendimento a pista de dança. Parecia a grande área numa final de Copa do Mundo com um escanteio decisivo aos 45 minutos do segundo tempo. Um agarra-agarra mútuo absolutamente insano, mulheres chargeadas por vários homens, muquinhos apalpados fervorosamente etc e pau. Uma profusão de órgãos pudendos veio à tona sem o menor constrangimento. Tal qual nas clássicas revistinhas de sacanagem de carnaval, só que ao vivo. Fantasias mil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o conceito do ninguém é de ninguém já havia sido apresentado, foi definitivamente encerrado e registrado com a brincadeira do relógio, um esquema simples em mais uma dinâmica entre os casais. Os casais formam um grande círculo. Som na caixa, a luz se apaga totalmente e assim permanece por alguns bons segundos. Quando acende, os homens permanecem no lugar e as mulheres seguem como se fosse um ponteiro de relógio, fazendo o papel de corrimão. Ou seja, todas as mulheres passam por todos os homens, acabando a brincadeira quando os pares iniciais se formarem novamente. Embora não tenhamos conseguido ver, não é difícil imaginar o que acontece no escurinho. Um incrível congraçamento de salivas, mãos, peitos, bundas e correlativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hora é agora e vâmo que vâmo - Concluída a aproximação, literalmente, dos casais, graças a toda aquela interação gostosa e sadia, finalmente a maionese desanda. Boa parte dos presentes desce para o piso inferior e perdem as estribeiras. Embora se passe longe dos limites do sexo convencional, nenhum grande absurdo é cometido. Basicamente, marido, mulher e um rapaz convidado liberam suas fantasias em público. Geralmente, o convidado chama na chincha e o marido, ou a mulher, apenas observa. E aí está o segredo da parada. O voyerismo. Segundo o Houaiss, o ato daquele que se excita sexualmente ao observar atividades sexuais de terceiros. Tão desinibidos quanto os praticantes, os observadores postam-se diante do ato e ali ficam flagrando sem qualquer tipo de constrangimento. Como cachorro sentadinho em frente ao frango de padaria. Seje no Labirinto Erótico, abrindo a cortininha, seje no Salão ou Dark Room. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um agravante, a seccional da punheta, esbaforida com a conjunção carnal desenfreada, manobra abertamente a genitália como se estivesse no sossego do lar. O que faz do território pouco iluminado um verdadeiro campo minado. Daí tira-se a importância de saber se movimentar pelos cômodos apertados com extrema malemolência, driblando os possíveis choques com outrem, evitando assim ser abalroado por um pênis em riste ou atingido por um míssil desgovernado de sêmen. No piso superior, exclusivo para os casais, a ferveção come solta. Impedidos de registrar os acontecimentos, eu e o Abud não poderemos dar certeza do que rola por lá. Sabe-se apenas que saliência pouca é bobagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E segue o baile. Dentre as mais variadas performances sexuais, destaque para o casal que utilizou a incrível cadeira erótica. A moça, de barriga pra cima, pernas e braços abertos, recebia o motobomba de seu parceiro e, ao mesmo tempo, dois jovens buscavam sintonizar uma melhor frequência girando os mamilos da sacaninha. Aos poucos alguns casais vão se desinibindo, outros partem para uma segundinha, terceirinha, e no fim das contas quase todo mundo entra na dança. Passado o impacto inicial, não restam grandes novidades em termos de movimentações e performances acrobáticas. Gemidos em maior ou menor escala de excitação, ou fingimento, são responsáveis pelos melhores momentos daí pra frente. O espírito de paudurescência esfuziante inicial da homarada vai dando lugar a um meia-vida melancólico conforme o término das apurações vai se anunciando. Os desesperados partem para a aventura do popular sopão, tentando garantir pelo menos uma tirada de cueca e assim não sair com o placar em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/swing04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitando o cabelo - A muáfa de sexo se adona do ambiente, deixando o ar denso e a permanência quase impossível. Com as dependências praticamente esvaziadas, eu e Abud decidimos por finalizar mais um capítulo de nossa história. Descemos para quitar nossas dívidas. Com o caixa ao lado da saída dos carros, pudemos desvendar um mistério que assolava nossas mentes. Um coroa estranho passou a noite observando sua companheira, um fiel exemplar da espécie grã-finas curitibanas quarentonas, sendo apalpada pela torcida do Flamengo. Em seu automóvel, a resposta do motivo de estar tão bem acompanhado. Um portentoso Audi, e até aí nada demais. Ao abrir a porta do automóvel, sacamos o pulo do gato. Estava lá um aparelho de DVD rolando um disco dos Bee Gees. Fechamos a conta, passamos a régua e quando estávamos batendo em retirada, tivemos tempo para uma pergunta para o Sergião, O Professor, passando pelo local: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André e Abud: E aí, quantas? &lt;br /&gt;Sergião, O Professor: Quatro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atitude responsa - De tudo que podemos constatar com essa experiência, uma coisa é absolutamente inquestionável. O que poderia indicar um ambiente de vale-tudo, revelou-se muito respeitador e seguro. Como pregam as normas do swing, as mulheres mandam em tudo. Cabe aos homens demonstrar interesse e aguardar pela resposta da mulher. Caso ela aceite, tranqüilo. Do contrário, a negativa é absoluta e o homem deve aceitar. Em nenhum momento, homem e mulher, são obrigados a fazer algo que não queiram. Sem medo de arriscar, a nível de azaração, paquera, flerte, as meninas sentiriam-se mais seguras no clube do que em qualquer night média. O uso de camisinha, óbvio, é indispensável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111863002031959879?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111863002031959879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111863002031959879&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863002031959879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863002031959879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/07/swingando-na-noite.html' title='Swingando na noite'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111863205673738612</id><published>2004-05-21T00:02:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T00:07:36.743-03:00</updated><title type='text'>Apogeu e glória no mundo all-star</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cpf01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito comum entre os postulantes à carreira jornalística imaginar que, pouco após o término da faculdade, as benesses inerentes ao trabalho do jornalista batam à sua porta tal qual um passe de mágica. Concluído o curso, pensa a rapaziada, a vida se tornará um agendar infinito de bocas-livres, circulando livremente em meio aos famosos e bem aventurados. Cinemas, shows, jantares, CDs, livros, tudo na faixa. No máximo, ao custo de algumas linhas no dia seguinte. Não é verdade. Pelo menos para a maioria. No meu caso, foi exatamente o que aconteceu. Demorou, reconheço, mas como um Rubinho em minha vida, enfim chegou (em segundo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu repousando em berço esplêndido quando o telefone toca: E aí André, aqui é o Omar, da Gazeta do Povo. Eu gostaria que você fizesse uma matéria sobre o Curitiba Pop Festival, topa?. Antes de aceitar, fiz charminho. Perguntei ao Omar se ele conhecia o Ivo Holanda. Dada a resposta negativa, botei fé na jogada. Não era uma pegadinha do Topa Tudo por Dinheiro, era mesmo verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santo homem. Depois de muito tempo, finalmente, aquela frase do Marcelinho Carioca descortinava-se em minha mente deflagrando seu sentido mais pleno. Os humilhados realmente serão exaltados. Vencidas as dificuldades iniciais, eu estava diante de uma oportunidade excelente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu iria ao CPF de qualquer maneira. Confesso que sou chegado num róque, o embalo dos jovens, a música do dimo. Estava com o ingresso em mãos. Meu irmão, destacado para adquirir o ticket, havia passado incólume ante a provação da compra. No entanto, agora eu poderia comparecer totalmente de grátis. Não preciso nem dizer qual foi a minha resposta. Vocês estão lendo agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destacado para a minha primeira aventura no fantástico mundo do jornalismo musical, tomei o cuidado de traçar um estratagema que diminuísse ao máximo a margem de erro na condução da matéria. Cerquei-me de todos os cuidados. Pesquisei informações sobre as bandas, chequei horário, mapeei acessos, conferi meu material centenas de vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais importante, claro. A credencial. Digo, a magnânima credencial. Sonhada, desejada, idolatrada, salve, salve. Aquele prosaico papelzinho plastificado, estrategicamente pendurado no pescoço, responsável por delírios de pretensão dos jornalistas e arroubos de inveja do público. Meia dúzia de telefonemas depois e o meu passaporte estava garantido. Bastava passar na Pedreira, apresentar-me ao setor de credenciamento e retirar o bichão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira anterior ao CPF entrei em regime de concentração. Afinal, não seria uma indisposição qualquer que prejudicaria a minha participação no evento. Dessa forma, segui a cartilha da mamãe. Evitei o sereno, me agasalhei adequadamente, pedi reforço no lanchinho. Na sexta-feira, me encontrava pingando azeite. Acordei cedo. Preparadíssimo, confiante, tranqüilo para dar conta do recado. Até abrir a cortina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando espiei as condições climáticas concluí que a missão seria deveras complicada. O céu desabava. Curitiba estava debaixo dágua. E conhecendo bem a Pedreira Paulo Leminski, senti que o festival mais aguardado do ano estava fadado a se transformar numa espécie de wet and wild pré-histórico com música ao vivo. Em todo o caso, consideradas as disposições em contrário, ou melhor, indisposições, mantive o otimismo babaca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guiando minha própria viatura, toquei para a Pedreira. E o que aconteceu no caminho nem o mais fanático por Monteiro Lobato poderia imaginar. O fenômeno que constatei ao volante foi algo estarrecedor. Comparável a um time que perdia de 5 a 0 virar o placar faltando poucos minutos para o encerramento da partida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que era ferro virou ouro. O início de tarde cinza e chuvoso transformou-se num entardecer de sol e céu azul. Maravilhado com a mudança do tempo, fiquei imaginando São Pedro ostentando vasta franja ensebada, trajando cardigan e all-star surrado, ouvindo Jesus and Mary Chain. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei super cedo na Pedreira, antes dos portões para o público serem abertos. Por dois motivos básicos. O primeiro, estando lá de tarde eu poderia, quem sabe, conversar com alguma banda, registrar a passagem de som, enfim, estar por dentro de todos os detalhes do evento. No entanto, o que eu queria mesmo era um desafio de velocidade. Sim, é isso mesmo que você leu. Eu queria apostar uma corrida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a bagagem de quem já compareceu a todo tipo de shows, eu pretendia finalmente vencer o tradicional sprint realizado pelos fãs quando aberto os portões em busca de um bom posicionamento na frente do palco. Nas três vezes em que participei dessa modalidade venci apenas uma. Fiquei com a medalha de bronze no show do Ramones, prata no AC/DC, subindo no alto do pódio apenas na apresentação do Rei Roberto Carlos. O que não é grande vantagem, levando-se em conta que minhas oponentes beiravam os 70 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi a minha surpresa quando constatei que não haveria quorum para a competição. Os portões da Pedreira foram abertos e ninguém se habilitou. Eu entrei e, calmamente, caminhei até o triunfo de ser o primeiro a pisar no CPF. Foi uma vitória por WO, mas tudo bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passava e nada do público aparecer. Antes de saltar aos olhos dos presentes a panaquice de ser a única pessoa não pertencente à organização dentro da Pedreira, retirei-me do local, voltando para a entrada. E lá na frente comecei a sacar o espírito do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cpf02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerado o festival de música independente mais importante do Brasil, o Curitiba Pop Festival tratava-se de um evento singular. Para um público diferenciado. Ou melhor, para um público que faz questão de ser diferenciado. Mais do que isso, para um público de aro de óculos diferenciado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia dizer, e você já percebeu, que diferenciado seria uma palavra apropriada para definir o CPF. No entanto, a obsessão pela diferenciação, no caso do público, era tamanha que o processo se inverteu. A maioria das pessoas parecia absolutamente igual. Cortes de cabelo modernos (franjas de toda a sorte), roupas dos avós, óculos de aro grosso e tênis All-Star. Por alguns instantes eu achei que a All-Star havia promovido uma queima de estoque a poucos metros da Pedreira. Um par por um beija-flor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cair da noite o público começava a chegar em bom número. Porém, pouca gente passava pelas catracas, consagrando a proposta do ver e ser visto. Animação para o show? Ansiedade? Euforia? Nada disso, o princípio era tirar uma onda blasé. Porém, mais uma vez, o destino aprontava das suas e o que parecia sacramentado mudou completamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cpf03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um velho amigo apareceu na área para me tirar daquele programa de indie. Não sei porquê eu sabia que ele apareceria. O cara mais indie de Curitiba. A representação em carne e osso da gênese do termo. Saudosas tardes em que nos encontrávamos no jogo de um certo time da capital para degustar um mignon e saborear um chopinho. Depois de muito tempo ele estava ali, dando um flagra na preparação para o róque, curtindo o embalo dos jovens. Foi a salvação para a longa espera antes do início dos shows. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papo em dia, deixei a companhia do bróder para, finalmente, cair matando. O ambiente já estava propício para as primeiras impressões sobre o festival. O público era razoável, a maratona de shows começara e eu devia apreciar tudo in loco. Aliás, não posso deixar passar em branco. A organização do festival era impecável, tudo tinindo trincando. Pelo jeito a produção do CPF é boa de show mesmo. Estraçalhou no show de horrores das vendas dos ingressos, fez bonito na organização e conseguiu trazer o show mais importante de 2004 para Curitiba, os lendários calvos dos Pixies. Exceto pela falta de iluminação nos banheiros, o que fazia da simplória tarefa de urinar uma incursão pelo túnel do terror, da pouca disposição de lugares para comer e da grade de separação, tudo correu sem maiores problemas. Destaque para a atenção dos organizadores com os detalhes. Para um show em que metade do público sentia-se em Londres, providenciar a fumacinha que sai da boca quando se respira foi um golpe de mestre, dando um realce no ambiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cpf04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bom público no primeiro dia. Mesmo que esse público estivesse lá mais para socializar e fazer valer o absurdo preço dos ingressos, do que para desfrutar dos shows. A sexta-feira transcorreu como numa boa noite fria. Todo mundo encolhido, como se estivessem confortavelmente alojados embaixo dos cobertores, naquela preguiça matadora. Nem a atração principal empolgou a rapaziada, arrancando alguns gritinhos tímidos e aplausos contidos. O segundo dia prometia mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não deu outra. Ao chegar na Pedreira no sábado, era nítida a diferença para o dia anterior. Presença de público superior desde o início dos shows. Uma relativa ansiedade pela atração principal da noite no ar. Mas alto lá, aquela ansiedade contida. Pega mal tietagem explícita ou exagero de fã. Infelizmente, ninguém puxou um hit para todos cantarem balançando os braços para o alto. Mais bacana era demonstrar que estava ali para assistir apenas mais um show, como aquele na Brixton Academy. &lt;br /&gt;Mas sabe como é roque, a música do dimo. Bastaram as caixas de som bombarem som de qualidade e a turminha se empolgou. O CPF finalmente transformou-se na Terra Prometida dos indies. Até a faixa de Gaza foi demolida, unindo os fiéis do rock independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentração máxima. O show mais aguardado depois da apresentação de Raul Seixas no ginásio do Atlético estava para começar. A área próxima do palco era intransitável, rapaziada espremida, contaminando o ar com uma muca densa do cheiro de naftalina dos agasalhos tirados as pressas do armário. Quando não mais do que de repente, pisam o solo sagrado os quatro cavaleiros da santíssima ordem do rock independente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/cpf05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu dei crédito para a zeladora do meu prédio. Em êxtase absoluto, o público gelado de outrora esquentava a Pedreira com a magia do róque. Ou seja, mais uma prova que esse estilo musical exerce influência sobrenatural nas pessoas. A cada lapada, uma resposta mais animada do público. Diante de uma banda incrível, o que era pose, frio, cansaço, espera, terminou na mais pura diversão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111863205673738612?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111863205673738612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111863205673738612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863205673738612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863205673738612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/05/apogeu-e-glria-no-mundo-all-star.html' title='Apogeu e glória no mundo all-star'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111863554981726309</id><published>2004-03-12T00:59:00.000-03:00</published><updated>2005-06-13T01:07:19.023-03:00</updated><title type='text'>Melhores bares - Gato Preto</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inaugurando a série de textos sobre Os Melhores Bares de Curitiba, tenho o prazer de apresentar a vocês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Restaurante Dançante Pantera Negra (vulgo Gato Preto)&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pantera Negra é um espaço lendário da noite curitibana. Comandado pelo Sr. Natal há mais de dez anos, assumiu essa nova identidade logo que trocou de dono, deixando para trás a alcunha de Gato Preto, nome pelo qual até hoje é lembrado e reverenciado pelos fãs. Aberto todas as noites, das 18 às 08hs, é destino certo tanto entre os que pretendem embalar, quanto aqueles que já embalados procuram um lugar para encerrar os trabalhos da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Ambiente&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um restaurante dançante, portanto, as mesas são dispostas como em qualquer restaurante convencional. Os melhores lugares estão próximos à pista de dança. A Iluminação psicodélica e os poucos ventiladores proporcionam toda sorte de sensações estranhas, potencializadas ao passo que a ingestão de álcool vai aumentando. O ambiente escuro favorece o flerte, mas prejudica a degustação das comidas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Atendimento&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitaneados pelo gerente Vanderlei, os garçons da casa são rápidos e certeiros. Cada setor possui um garçom responsável. Prefira o setor do garçom Edson, o melhor do local. Atendimento personalizado e de total confiança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Comida&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sol no dia seguinte. O ponto forte da casa é a costela, o prato predileto de 9 em cada 10 fregueses.  São servidos outros tipos de carne, como picanha, mignon e o providencial churrasco completo, um alcatra acompanhado de salada, arroz e batata-frita. Constam ainda no cardápio pizzas e uma grande variedade de aperitivos. Os preços praticados são normais, sem abusos. Um preço justo de acordo com o tamanho da porção. Provamos uma picanha no palito. Era picanha e era no palito, 16 reais o prato. Os pedidos também estão disponíveis para entrega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Bebida&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais variados drinks, sucos, vinhos e refrigerantes em geral, são servidos a preços acessíveis no Pantera Negra. A cerveja, Kaiser, lamentavelmente, custa 3 reais, preço razoável. Sempre gelada, pode vir no baldinho com gelo ou a parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Música&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn06.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia uma dupla diferente anima a pista de dança do Pantera Negra. O repertório é basicamente composto por música gauchesca, vaneirão e pitadas de outros ritmos populares. As duplas são compostas geralmente por teclado e guitarra, havendo um revezamento no comando da voz. Se você estiver com sorte, pode se deparar com um bêbado qualquer assumindo os vocais. Na noite de nossa visita, a pista era comandada pelos músicos Alex, Matheus e um bêbado qualquer. O volume é adequado, não havendo prejuízo para o bate-papo descontraído.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Paquera&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/pn07.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das moças que freqüenta o local é formada por garotas de programa. Eu disse a maioria, não disse todas. Portanto, o flerte deve ser cuidadoso e preciso. O primeiro passo é o mais simples e rápido. Uma ligeira troca de olhares e você estará acompanhado. A partir desse momento duas possibilidades se descortinam no jogo da sedução. Na primeira, você segue o fluxo normalmente e quando interpelado por motivos de ordem financeira diz, ingenuamente, que não sabia que tinha que pagar. Obviamente, o affair se dá por encerrado. Na segunda, mais tranqüila, você cozinha em banho-maria até sentir que é a hora adequada pra sacar a carteira. Ainda há uma terceira possibilidade, remotíssima, da garota desejada não ser da noite. Caso isso aconteça, prepare a aliança que o destino não apronta duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao perfil dos homens, o Pantera Negra é um gigantesco mostruário masculino. De empacotadores a deputados, office-boys a vereadores, pedreiros, advogados, empresários e fanfarrões em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Sanitários&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sanitário masculino há o tradicional mictório coletivo. Cabines individuais dotadas de privadas em razoável estado de conservação e limpeza. Resumindo, em situações de pânico dá pra cagar. Devido a pouca ventilação do local, ir ao banheiro pode ser uma alternativa para quem procura uma fuga da realidade e não levou dinheiro para o consumo de álcool ou substâncias estupefacientes. Não visitamos o sanitário feminino, mais concorrido que o masculino pelo fato de servir não só como área de alívio, mas também como camarim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Estacionamento&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local dispõe de serviço de bem-cuidado. Se a segurança não é garantida, o preço é em conta. Um real, no máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;b&gt;Pantera Negra (antigo Gato Preto) - Ermelino de Leão, 257, Centro, fone 225-5717&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111863554981726309?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111863554981726309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111863554981726309&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863554981726309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863554981726309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/03/melhores-bares-gato-preto.html' title='Melhores bares - Gato Preto'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111862858144716891</id><published>2004-02-25T23:04:00.000-03:00</published><updated>2005-06-12T23:09:41.453-03:00</updated><title type='text'>Celebrando a Sacanagem</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 34 anos o Concurso Bem Bolada é a principal opção em matéria de putaria no carnaval curitibano. Literalmente. Para os fanfarrões de primeira viagem, e para aqueles que não são da área, o concurso elege a garota de programa mais bonita, gostosa, jeitosa, em suma, a moça mais completinha do carnaval na capital paranaense. Representantes de quase todas as boites de Curitiba e região metropolitana pisam e sambam na passarela em busca do título máximo do ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizado no Crystal Palace, domingo de carnaval, o evento teve como vitoriosa a candidata Juliana Antonele, alegados 21 anos, representando a Sex Night Club. Entre toda sorte de tipos femininos, Juliana Antonele, sem dúvida, era uma das mais bonitas. No entanto, muito se comenta nos bastidores quanto à lisura dos resultados. Enfim, se é certo que o júri não transmite muita credibilidade, especialmente entre as concorrentes, pelo menos é composto da mais variada gama de personalidades. Constituíam o corpo de jurados do Bem Bolada 2004, gente do quilate de um Roberto Hinça, apresentador de tevê renomado, Jotapê, radialista e político nas horas vagas, contando ainda com um belo apanhado de figuras estranhas e jornalistas em estado avançado de embriaguez. A apresentação do evento ficou a cargo de Cândido de Oliveira, brilhante repórter do programa Ricardo Chab. Candinho, para os íntimos, mostrou enorme categoria na condução do concurso, fazendo às vezes de apresentador, animador de auditório e, quando necessário, comandou o rebolado das candidatas até o chão, tal qual um passista de escola de samba dos mais experientes. Só faltou o pandeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de praxe, destaquei o intrépido jornalista Rodrigo Abud para me acompanhar na cobertura do evento. Abud, que de bôbo não tem nada, animou-se e aceitou prontamente meu chamado. Afinal, não é de se desperdiçar a chance de cobrir algo, ou alguma coisa, no funeral, perdão, no carnaval curitibano. Ainda mais numa festa de garotas de programa, onde as chances de cobertura, em cash ou não, aumentam consideravelmente. Abaixo, nossas impressões sobre o Bem Bolada 2004. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao evento eu e Abud constatamos que, caso não rolasse o famoso trenzinho de carnaval, certamente as risadas estavam garantidas. Já na portaria do Crystal Palace a fauna humana exuberante e exótica dava o ar da graça, provando ser o Bem Bolada um evento para uma platéia selecionada. Em meio a um público majoritariamente masculino, destacavam-se tiozões exalando naftalina, jovens ouriçados e vovôs-garoto, não me perguntem como, muito bem acompanhados. Algumas moças sozinhas também decoravam o ambiente, todas com o pecado estampado na face. Mais adiante, no transcorrer do desfile, descobriríamos que não só a fauna, mas também a flora do local era bastante exuberante. Mas isso é assunto para algumas linhas abaixo.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opositor que sou do corporativismo no jornalismo brasileiro, adentrei ao recinto sem fazer uso da minha carteira do Sindicato dos Jornalistas, a qual não possuo e nem faço questã. Paguei ingresso como todos os mortais, devidamente bonificado pelo recorte da Tribuna. Abud e eu concordamos que 10 mangos tratava-se de um preço justo para um evento de tamanha magnitude. Além do mais, quitando o ingresso estaríamos contribuindo para a manutenção do Bem Bolada como o bastião da marotagem no carnaval curitibano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando pela revista, sentimos o bafo de zona que se adonava das dependências do Crystal Palace, fenômeno normal em se tratando da natureza do concurso. Em tempo, louve-se a disposição e o profissionalismo dos seguranças em apalpar uma rapaziada excitadíssima para apreciar as candidatas. Como bons pândegos, eu e Abud caímos matando na pista de dança, recepcionados pela tecnêra irada que bombava dos alto-falantes.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de nos esbaldarmos com os hits eletrônicos mais cafajestes da night, bailamos ao som da banda residente do Crystal Palace. Não me recordo o nome do grupo, uma sub-banda de formatura, daquelas que tocam a nata das músicas lamentáveis do rádio para os mais novos profissionais consagrarem seu futuro desemprego. Lembro-me apenas de um belíssimo afro-brasileiro arrepiando, pra variar, no contra-baixo. Muita porcaria e algumas saudosas marchinhas depois, Cândido de Oliveira subiu ao palco para dar início aos trabalhos do Bem Bolada 2004. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrategicamente posicionados à beira do palco, não contávamos com a desorganização do evento. Com muita educação, é verdade, Cândido de Oliveira solicitou que a massa ereta que tomava conta da pista sentasse no chão para não obstruir a visão dos cafetões, digo, do pessoal das mesas que estava atrás. Diplomaticamente acatamos as ordens de Candinho, afinal, ainda assim teríamos uma bela visão do desfile. Mas tinha mais. Mostrando que tudo havia sido minuciosamente planejado, a organização ordenou que a plebe, digo, o pessoal sentado no chão se afastasse para dar lugar às mesas dos jurados. Com a mesa do júri à frente ficaríamos com a visão deveras prejudicada, não podendo relatar com fidelidade o desfile, sendo assim, fomos obrigados a descolar um espaço mais adequado.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminados os reparos logísticos, Candinho chamou ao palco Kendrya, uma menina muito extrovertida que as más línguas diziam ser prostituta. A moça subiu ao palco para divulgar seu ensaio de fotos ousadas para a revista Área Vip Brasil e, para o deleite da audiência, aproveitou o ensejo e proporcionou um preview do conteúdo editorial. Me senti num fim de feira, onde melões eram disputados avidamente e até um bacalhauzinho sobrou pra alegria turma.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entreter e aplacar a ansiedade do público, Candinho usou e abusou dos dotes sambísticos da Madrinha do Bem Bolada. Entre os mais diversos agradecimentos, a moça dançou sem parar no aguardo da preparação das candidatas. Há duas horas dançando desnuda ao lado de Candinho no palco, a Madrinha não escondeu a expressão de insatisfação ao ser convocada pelo apresentador a dançar mais um pouquinho. Ciente do descontentamento da estafada passista, mostrando incrível perspicácia e atenção aos mínimos detalhes, Candinho soltou a pérola da noite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que beleza, já tá de topless...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa, restou a Candinho anunciar, com pompa e circunstância, os responsáveis pela escolha da legítima representante da noite curitibana. Com os jurados em seus lugares, a plebe espremida e as torcidas animadas, finalmente, foram chamadas as concorrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou, mas valeu a pena. Um sem fim de plumas, paetês, purpurinas, nádegas, seios e genitálias semi-desnudas descortinaram-se perante os olhos atônitos da platéia. Pura luxúria, marotagem e saliência. Um espetáculo erótico-carnavalesco empolgante e divertidíssimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dá-lhe mexe-mexe, bole-bole, sobe-e-desce, desce-e-sobe. Todas as candidatas tiveram a oportunidade de exibir seus dotes artísticos e genitais para os jurados. Primeiro, coletivamente. Depois, em vôo solo. Sambaram à vontade. Afinal, para uma escolha de tamanha envergadura, faz-se necessária muita atenção nos mínimos detalhes. E para uma melhor visualização dos detalhes, algumas candidatas mais vagabundas, digo, desesperadas, digo, um tanto quanto exaltadas, não se contentaram em exibir apenas a malemolência no samba, exibindo-a também em outras partes do corpo. Aliás, se não fosse por essas meninas festeiras que apresentaram CIC, RG e comprovante de residência na passarela, o Bem Bolada não passaria de um concurso de beleza comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb06.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nem precisaria dizer que a o público ia a loucura com as meninas mais afoitas. Inclusive, não posso deixar de destacar um bróder que estava ao nosso lado, trajando uma camisa social branca não muito passada, de vistosa cabeleira black que a todo momento ordenava com incrível intimidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cândido, manda elas tirar a roupa!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizado os desfiles, as candidatas recolheram-se aos suntuosos camarins do Crystal Palace para aguardar a apuração dos votos. Não demorou muito e o resultado veio à tona sem grandes surpresas. Bianca, do Café Paris, foi eleita Miss Simpatia. A eleita para Segunda Princesa foi Patrícia Guedes, do Café Paris. Por último nos prêmios de consolação, Priscila Veiga, do Saara Café, faturou o título de Primeira Princesa. Interessante notar pelo resultado como os cafés de Curitiba estão a cada dia com atrações mais ousadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tão aguardado resultado do Bem Bolada 2004 veio logo a seguir. Cercado pelos jornalistas, Candinho anunciou Juliana Antonele como a Bem Bolada do carnaval 2004. A moça, bastante contida e tímida, posou para as lentes dos fotógrafos, deu entrevistas, mas não atendeu ao apelo da platéia por um algo mais. Manteve-se vestida mesmo nos momentos de euforia pela conquista do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb07.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegava ao fim o tradicionalíssimo concurso Bem Bolada. Alguns reclamavam do excesso de pudor da maioria das candidatas. Eu e Rodrigo Abud ainda atordoados pela estréia no fantástico mundo da putaria momesca, deixamos para repercutir o concurso com mais calma e, tranqüilos, relatarmos a experiência para vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, exceto por algumas meninas mais acaloradas, não se confirmou a putaria generalizada que parecia ser a tônica do concurso. Como profundo conhecedor da folia brasileira, posso garantir que as chances de deixar o vovô, a vovó e a menina ingênua morrendo de vergonha com o carnaval são bem maiores em qualquer praia do Brasil. A profusão de danças sexuais e versos chulos no Bem Bolada é infinitamente menor. A diferença é que o Bem Bolada é um concurso onde a rapaziada deixa a hipocrisia de lado e celebra pacificamente a sacanagem há 34 carnavais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/bb08.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111862858144716891?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111862858144716891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111862858144716891&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111862858144716891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111862858144716891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/02/celebrando-sacanagem.html' title='Celebrando a Sacanagem'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111863436472851790</id><published>2004-01-15T00:40:00.000-02:00</published><updated>2005-06-13T00:46:04.730-03:00</updated><title type='text'>Ageu "A Voz" Braga</title><content type='html'>Quem transita freqüentemente pela Rua XV com certeza já se deparou com essa figura simples, calçado nas sandálias da humildade, roupas castigadas pelo tempo, seje no calor, seje no frio, trajando um casacão marrom e entoando versos arrebatadores do Rei Roberto Carlos. Aos incautos, alerto, saquem caneta e papel e peçam um autógrafo enquanto há tempo, pois em breve não será mais possível sequer estar próximo dele. Ageu Braga, A Voz, um diamante em estado bruto do cancioneiro popular canarinho, galgará os píncaros da glória artística internacional como só os fenômenos são capazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, óbito, eu vou entrar nessa boquinha. Para tanto, convidei o agitador cultural, jornalista consagrado e homem-gol nas horas vagas, Rodrigo Abud, filho do mecenas da arte curitibana, Jorginho Abud, para que juntos pudéssemos tratar da carreira de Ageu A Voz Braga. E quem, como nós, já enxaguou o figo e fumou muita bosta de vaca em mais de 20.000 vernissagens e agitações culturais por todo o Brasil sabe que nada melhor que uma boa performance para introduzir um produto no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/ageu01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde mais poderíamos realizar uma performance de estréia de Ageu Braga perante seus futuros fãs do que em seu habitat natural? A Rua XV, palco preferido do cantor, onde Ageu conhece todos os macetes, decorou as reverberações e microfonias, sem dúvida era o lugar ideal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após desleixada avaliação do público alvo eu e Abud adotamos uma estratégia de lançamento à moda antiga. Show pirotécnico, dançarinos, brindes, maquiagem e ônibus vindos da região metropolitana lotados de pessoas ávidas por uma laranjada e um churros ficariam reservados para a consagração final. A nível de lançamento de cantor, o mais indicado era mesmo nossa idéia de que o cantor deve ir aonde o povo está. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a Rua XV não comportava o público mínimo para uma estréia de tamanha envergadura, resolvemos adaptar a frase e levar Ageu Braga não onde o povo está, mas onde o povo está e tem que ficar pois pagou pra entrar e está esperando sua vez: um karaokê!! Claro, nada melhor que um local recheado de pessoas com pouco faro musical e disposição de sobra com seus ouvidos/penicos para lançar um produto que não tivemos tempo disponível para oferecer pelo telefone ou dar de graça em saída de colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/ageu02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, qualquer resultado seria vantajoso para nós. Artistas e produtores não sairiam perdendo de jeito nenhum, mesmo que o público não abraçasse Ageu Braga como o sucessor do Rei. O que, diga-se de passagem, poderia acontecer, pois em terra de ouvido/penico bufa de marmelo risca de varão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi feito. Carregamos Ageu Braga nos braços até o karaokê mais próximo. O povão ovacionava a passagem do ídolo, numa comoção que lembrou muito a primeira manifestação pelas Diretas Já realizada naquele mesmo local. Um sucesso estrondoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o destino, sempre ele, a inefável mão do capeta, nos reservou uma desagradável surpresa. O karaokê estava fechado. Os olhos marejaram e o peito já castigado pelas intempéries da vida sentiu o golpe da decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/ageu03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não havia de ser nada. Após calorosa troca de olhares com as meninas do HSBC que recebiam os convidados para os festejos de natal do Palácio Avenida, Ageu Braga saiu de cabeça em pé, afinal, sua trajetória de sucesso é apenas uma questã de tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos os 3 caminhando pela Rua XV, certos do dever cumprido e ansiosos pelo dia em que Ageu Braga emocionará as multidões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/ageu04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111863436472851790?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111863436472851790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111863436472851790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863436472851790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111863436472851790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2004/01/ageu-voz-braga.html' title='Ageu &quot;A Voz&quot; Braga'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13296890.post-111859556351353187</id><published>2003-11-21T13:50:00.000-02:00</published><updated>2005-06-12T19:34:04.833-03:00</updated><title type='text'>De olhos bem abertos</title><content type='html'>&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj00.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Pra ser bem sincero, sempre tive vontade de conferir o que acontece dentro daqueles famosos lugares onde rolam sessões corridas de sexo explícito a partir do meio-dia. Desde o tempo em que meu pai passava de carro do lado de um cine erótico na volta do colégio e eu via pela janela aqueles cartazes marotos. Tudo bem que naquela época um cinema pornô parecia ser tão interessante quanto ter um Playcenter no quintal de casa. Atualmente a minha concepção era totalmente diferente, claro, bem menos ingênua. Mas por mais certeza que nós possamos ter mesmo sem nunca ter ido, de que o que o pessoal apronta no escurinho não seja lá muito edificante, sempre fica aquela pontinha de curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como diz aquele velho chavão, melhor se arrepender de ter feito ao invés de ficar eternamente na dúvida de como poderia ter sido caso fizesse (é por aí). Sendo assim, resolvi ir num cinema pornô. E fui. E agora posso dizer... Não vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por maior que seja a sua curiosidade, por maior que seja seu espírito de aventura, por maior que tenha sido a quantidade ingerida de cachaça e/ou substâncias estupefacientes, em hipótese alguma, jamais entre num cinema pornô, nem que seja pra fugir do satanás. Se por um acaso o destino maldosamente lhe oferecer uma entrada grátis numa sessão erótica como sua última atividade em vida, peça clemência, um picolé de limão, peça pra adiantar a morte mas não aceite que é pegadinha. Sério, não vá. Por favor, não vá. Sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos voltar no tempo. Começar do começo.Eu necessitava tanto de uma matéria de altíssimo impacto, aquecer o sangue de jornalista do submundo que corre em minhas veias que acabei passando da conta. Baixou em mim o cabôco Zé Malícia e ordenou que eu finalmente matasse a curiosidade sobre o cinema pornô. Meu destino estava traçado, eu deveria escrever uma reportagem a respeito. E como eu definitivamente não sou de contrariar as forças do além, aceitei a empreitada. Mas com uma condição, que me fosse permitido convidar alguém para realizar tarefa de tamanha envergadura. Aliás, o medo era esse mesmo, o tamanho da envergadura que eu podia acabar encontrando nessa reportagem. Dessa forma pedi para que o cabôco Zé Malícia fechasse meu corpo, não sou bobo nem nada, e não é que ele negou? Disse que se fechasse meu corpo limitaria muito o meu campo de percepção do que acontece num cinema erótico. Filha da puta, me tirou pra viado. Mas me fiz de desentendido, afinal, sei que ser entendido nessas coisas não é bom sinal. Mas tudo bem, pelo menos eu não cairia na roubada sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj01.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não titubeei em convidar o Abud. Para quem não conhece, Rodrigo Mendes Abud é o presente e o futuro do jornalismo brasileiro. Rapaz de faro aguçado para reportagens polêmicas, certamente seria a companhia perfeita. Liguei na noite anterior para o Rodrigo, disse a ele que se tratava de uma matéria diferente, pra chacoalhar as estruturas da vadiagem, e que eu precisaria dos serviços dele para me acompanhar e bater umas fotos. Quando revelei que iríamos num cinema pornô o mesmo não se fez de rogado aceitando de prima. Amigos de longa data nem precisaria, mas era de bom tom frisar que se tratava de um convite profissional, e não uma cantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos encontramos às 16hs e seguimos para o Cine São João, centro de Curitiba, perto da Praça Rui Barbosa. Chegando ao local fizemos como manda o figurino. Discrição, movimentos pensados, mapeamento visual do ambiente e checagem das rotas de fuga. Por mais bizarro que possa parecer, era necessário se sentir bem, tranqüilo, à vontade, como se estivéssemos acostumados a sair do serviço e dar um pulo no São João pegar um filmote. Como ensina o Sebastião, numa relax, numa tranqulia, numa boa. Inseridos no contexto do local nos dirigimos ao guichê. E aí se deu a primeira polêmica da tarde. Já que era a primeira vez que eu assistiria um filme pornô com um monte de desconhecidos queria que fosse em alto estilo, classe A, com categoria, pagando meia!! E mesmo com um calhamaço de ingressos meia-entrada a dois palmos dos nossos narizes o bilheteiro bateu o pé afirmando que era preço único. Cinco reais. Protestamos, o cara explicou mal e porcamente qual a origem do bolo de ingressos meia-entrada mas não arredou. Como poderíamos precisar da ajuda dele a qualquer momento optamos pagar o preço estipulado.Passamos a roleta, subimos uma escadaria e avistamos um corredor vazio e extremamente sombrio. Aí amigo, quem tem, tem medo. Entre risadas nervosas e um mix de curiosidade e cagaço seguimos em frente. Não desistiríamos a poucos metros de completar a façanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj02.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Cine São João é grande. Corredores compridos, espaçosos, longe de ser um cinema meia tigela. A alguns metros da entrada da sala de projeção o nervosismo era intenso, mas graças ao bom Pai todas as nossas piores expectativas acerca do local caíram por terra. Tudo que a gente tinha pensado de mal não tinha nada a ver.Era muito pior. Um milhão de vezes mais desgraçado.&lt;br /&gt;Vencida a última escada a realidade era acachapante. Entre bêbados, maloqueiros, travestis e figuras nem um pouco confiáveis, muitos senhores de idade. Antes de entrar é necessário passar por uma espécie de ante-sala, um hall de putaria, onde todos ficam se encarando com olhos de desejo.Entre a recepção e a sala havia uma cortina fina, suja, cheia de marcas de batom que vencida pelo vento nos proporcionava uma visão nem um pouco agradável. Aliás, visão é modo de falar, pois a grande verdade era que não dava pra enxergar porra nenhuma! E se tem um lugar pra enxergar porra é justamente um cinema pornô. Eu e o Abud ficamos pescoceando do lado de fora pra dar uma espiadela na película. Por diversas vezes tentamos vencer os enigmas da escuridão, mas precavidos que somos optamos por segurar a onda e, ao invés de não enxergar porra nenhuma, sentí-la ao sentar ou esbarrar na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj03.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignados com a precaríssima iluminação e temendo pelo pior fomos reclamar ao bilheteiro. - Aí bróder, não dá pra enxergar nada lá dentro.- Escuta só, a manha é entrar na sala e deixar a vista acostumar...Em dúvida se aquilo era um conselho ou a senha para o inferno não desistimos do nosso objetivo, conhecer um cinema pornô, e seguimos em frente. De volta ao ambiente de descanso nos deparamos com um véio de vestido colado preto, peruca ruiva descabelada e batom todo borrado. Aquilo feriu nossa moral. Foi um sinal para que freássemos nosso ímpeto de penetrar (enquanto espectador) na sala. Definitivamente o lugar dos amadores era pelos corredores do São João. Embora o clima de putaria fosse total só não imaginávamos que isso pudesse ser levado ao pé da letra. Nos aproximamos de um mocó para que eu ajustasse a máquina fotográfica pra bater sem flash, diminuindo substancialmente a chance de sermos linchados, e nos deparamos com a nádega desnuda de um ser postado de cócoras fazendo, o que calculamos, um trabalho de sopro para outro ser. Pensei em ir ao banheiro ajustar o flash mas fui impedido pela muáfa de mijo e que tais que bombava lá de dentro. Sem condições. Nem pra pentear o cabelo. E mais, muitas filas pra, abre aspas, urinar, fecha aspas.Mais uma vez voltamos para a salinha do pênis flácido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como estávamos lá a trabalho, e não a lazer, resolvi utilizar toda a minha perspicácia e faro jornalístico para realizar uma breve consulta de preços. Como eu não sou otário, e levando-se em conta que por pior que seja nos encontrávamos num local de hormônios em ebulição, utilizei todo o meu charme e a velha técnica sensual do chamado com os dois dedinhos para solicitar a presença do que parecia ser uma prostituta. Enquanto isso o Abud tentava distinguir o quê era o quê na telona grande do cinema. Chocado com ar carregado do local, qual não foi a minha surpresa ao bater um papo super agradável, recheado de simpatia e marotice com o que parecia ser uma prostituta. Sem delongas, segue o menu:- Chupeta: cincão (com camisinha).- Programa: deizão.Agradeci a presteza do que parecia ser uma prostituta e deixei o que parecia ser uma prostituta faturar. Agora o melhor, o que parecia ser uma prostituta andava pra lá e pra cá com um rolo de papel higiênico na mão. Gente coisa é outra fina. Aliás, pra fechar, o que parecia ser uma prostituta afirmou que era uma prostituta. Preferi não conferir a documentação pra não me surpreender, melhor sair de lá enojado com o cheiro de rola do que com a lembrança de ter visto uma em carne e pele a poucos centímetros de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj04.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididos a não arriscar a pele, ou pior, as pregas, entrando na sala de projeção, eu e Abud resolvemos dar um tempo no lounge pra sair fora. Cinco minutos por ali e nos sentimos como o Luke Skywalker em Guerra nas Estrelas naqueles bares no meio da galáxia com aliens de todos os filos.Muitos velhos, muitos caras de regata e bonezinho, muita malária, alguns sujeitos totalmente insuspeitos e toda sorte de travestis. Mas não pense que travesti lá é tipo Roberta Close, pra você ter uma idéia, no São João a Rogéria ia estar por cima da carne seca. Ou da carne dura, como queiram. O traveco mais jeitoso que passou por nós tinha silicone na cara. Sim, no rosto, boca deformada de silicone de camelô. Corpo idem, podre, caindo os pedaços. O pouco que conseguimos ver do filme de fora da caverna resumiu-se aquele básico de filme pornô. Close máximo de uma penetração. Graças ao bom pai era uma relação heterossexual. Como vimos apenas flashes do filme vou ficar devendo uma avaliação mais caprichada, se o roteiro era bem amarrado, se o filme tinha fotografia densa, diálogos precisos e enxutos etc. Agora, falando sério, ou melhor, falando mais sério pois tudo que eu disse é a pura verdade. É impossível sair de lá sem ficar um pouco deprimido. Eu sei que a vida não é fofinha, e que pra muita gente aquilo significa, vá lá, um pouco de diversão. Mas mesmo assim é terrível. Um submundo com tudo que tem direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos por todo o cinema, são duas salas, e dá pra afirmar mesmo sem ter conseguido visualizar direito que o Cine São João é um cinema fantástico. Uma sala de projeção gigante, com o teto altíssimo, a tela fica lá no topo. E outra igualmente grande, parecida com as salas do Estação Plaza só que maior, as poltronas dispostas em degraus, como numa arquibancada de estádio de futebol. Para chegar a essa segunda sala você sobe uma escada que eu e o Abud até brincamos dizendo que nos sentíamos no Maracanã. Um puta de um cinema absolutamente abandonado. Paredes sujas pintadas de preto, várias portas com cadeados gigantes, infestado de mosquitos. As fotos que tiramos, na pressa pra que ninguém visse, saíram tremidas. Mas vendo bem, não são as fotos, mas a realidade é tremida lá dentro. Parece um lugar habitado por fantasmas. Quando fomos lá fazia um lindo dia de sol em Curitiba, e a sensação foi horrível, imagino o que devam ser aqueles corredores desertos do São João num dia de chuva, raios e trovoadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/img/252/6106/1024/csj05.jpg"&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fico pensando se todas aquelas pessoas que encontrei lá tem mulher, filho, esposa, foram casadas, já namoraram, enfim. Você pode estar pensando, poxa, uns vão lá pra masturbar, outros pra serem masturbados, uns vão dar, outros comer e ponto final! Sim, pode até ser, mas é bem mais complicado do que parece. Só indo lá pra saber.Mas não vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sairmos da sala eu e o Abud batemos um papo com o bilheteiro. O cara trabalha lá há dez anos, o espaço é alugado e quem banca o cinema é um empresário de São Paulo. Segundo o bilheteiro não dá prejuízo. São poucos funcionários (cinco, entre eles uma senhora de uns 70 anos), a projeção é em vídeo, não gasta luz (também, com aquele breu que é lá dentro) e a manutenção é quase zero. E se até hoje o cinema não virou um bingo ou uma igreja evangélica, como 98% dos cinemas do centro de Curitiba, é porque funciona. Segundo ele também os incidentes são muito poucos. Resumindo, muita gente ainda vai tocar uma no São João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13296890-111859556351353187?l=jornalistademerda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/feeds/111859556351353187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13296890&amp;postID=111859556351353187&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111859556351353187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13296890/posts/default/111859556351353187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalistademerda.blogspot.com/2003/11/de-olhos-bem-abertos.html' title='De olhos bem abertos'/><author><name>André Pugliesi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04264922344573682973</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
